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DOWNWIND – NÍVEL INICIAÇÃO

Objectivos no nível INICIAÇÃO:

  1. POSIÇÃO E GANHAR VELOCIDADE
  2. SENTIR A ONDA A PEGAR O SURFSKI
  3. ENCAIXAR NA ONDA
  4. DESCANSAR A SURFAR A ONDA
Quando falamos em surfar as ondas no mar estamos a referir-nos às ondas criadas pelo vento que podemos encontrar ao largo. Não são as ondas de rebentação que vemos a quebrar na costa. Sobre a forma como devemos surfar as ondas de rebentação falaremos depois.

As ondas ao largo são aquelas que mais nos interessam e aquelas com as quais nós podemos tirar todo o partido das características do nosso surfski quando as surfamos em downwind.

POSIÇÃO CORRECTA & GANHAR VELOCIDADE

Posição
A primeira coisa que temos de fazer é estarmos bem posicionados em relação à onda. Temos de alinhar o surfksi exatamente a 90º com a onda que queremos apanhar [ou seja temos de ter a onda a vir pelas nossas costas].

[Podemos apanhar a onda na diagonal mas isso obriga a remar mais depressa e com mais força. Assim vamos ficar cansados muito depressa e o objetivo do downwind é utilizar a energia das ondas para andar depressa e não gastar a nossa energia para surfar.]

Ganhar velocidade
Depois de estarmos na posição correta vamos pôr o surfski a uma velocidade constante.
Estar parado ao largo à espera que venha uma onda que pegue no surfski e nos faça andar, simplesmente, não resulta.

Se ficarmos parados à espera de uma onda, quando ela chega o surfski vai fazer um movimento brusco de levantar a traseira e depois a frente e isso quer dizer que a onda está a passar por baixo do teu surfski e tu não a conseguiste apanhar.

Se ficarmos parados vamos ter um tempo de reacção muito reduzido para tentar pegar a onda [entre o momento que a traseira do surfski sobe e o momento em que a onda passa por baixo do nosso corpo e a perdemos] e vamos ter de nos esforçar muito mais para embalar o surfski. Com o barco em andamento, o tempo de reacção diminui [a onda precisa de mais tempo para passar por baixo do nosso surfski] e o esforço é menor por isso vamos estar SEMPRE em movimento.

Temos que estar sempre a remar! Para melhor encaixarmos numa onda o nosso surfski tem de estar mais ou menos à velocidade dessa onda.

ENTRAR NA ONDA

Quando sentimos a parte do trás do surfski a levantar (ou a frente a afundar, é o mesmo) damos umas remadas com mais força para encaixar bem o barco na onda. Não desistas de remar até o barco começar a descer a onda.

[Quando estamos na crista da onda e antes de a começar a descer ficamos momentaneamente numa posição muito instável porque há menos superfície do surfski a tocar na água. O teu corpo está na crista da onda e metade do teu surfski fica à frente da crista e a outra metade fica por trás da crista da onda. Nesta fase é importante que não desistas e remes com força para forçar o surfski a descer a onda e assim que ele começa a descer e a ganhar velocidade a instabilidade desaparece.]

Quando a parte da trás do surfski fica levantada e sentes o surfski a avançar com mais velocidade, isso significa que já estamos a surfar a onda.

Apontas o surfski para o buraco à tua frente (a cava da onda) e manténs a remada mas não aplicas força, passando apenas as pás pela água, deixando que o barco seja levado pela onda.

DESCANSAR – RECUPERAR ENERGIA

No momento em que o nosso surfski é levado pela onda é quando conseguimos aproveitar a energia dessa onda para fazer avançar o barco sem utilizar a nossa energia, ou seja, ESTAMOS A SURFAR. É nesta fase que conseguimos descansar. Não fazes força até a surfada terminar e sentires a frente do surfski a levantar. Quando isso acontece voltas a remar com mais força porque todas as ondas têm cristas e cavas. Quando a frente do teu surfski começa a levantar, a tua onda seguinte está alinhada atrás de ti.

ERRO COMUM – REMAR PELA ONDA ABAIXO

Se no momento em que estás a surfar continuares a remar com força pela onda abaixo vais estragar o teu surf por duas razões. 

Primeiro porque devias estar a descansar para sprintar para a onda seguinte e segundo porque o barco desce a onda toda até à cava e depois vais parar nas costas da onda à tua frente e normalmente, quando isso acontece, a frente do surfski afunda e vais ficar cheio de água. 

Com um barco cheio de água e com pouca velocidade vais precisar de muita energia e tempo para recuperar. 

Energia para remares com força para voltar a ganhar velocidade e tempo para vazar a água do surfski. Durante esse tempo vais perder várias ondas sem necessidade.

Nesta fase é muito importante perceberes que:

  1. Quando encaixaste na onda estavas mais ou menos à velocidade dessa onda (vamos imaginar que ias a 10 km/h e a onda a 12 km/h);
  2. Se continuares a surfar a onda vais a 12 km/h sem esforço e é exactamente isso que nós queremos. Andar depressa utilizando a energia do mar;
  3. Quando desces a onda toda até à cava o teu surfski vai mais rápido que a onda que apanhaste (vamos imaginar 14 km/h);
  4. Ao tentar ultrapassar a onda à tua frente o teu surfski vai levantar; vais enfiar o surfski na crista à tua frente; vais subir pela onda da frente e o teu surfski vai encher d’água e perder velocidade (vamos estimar entre 6 a 8 km/h), tens depois de voltar a remar com força para voltar a conseguir surfar uma onda.
  5. O que nós queremos é uma velocidade média elevada e não os picos de velocidade máxima.
REPETIR O CICLO: SPRINT – DESCANSO – SPRINT – DESCANSO

Deves treinar para conseguir repetir este ciclo descansando quando estás a surfar e remando com força apenas quando queres descer uma onda.

Assim que conseguires perceber quando estás a surfar e descansar, estás pronto para a próxima etapa de aprendizagem: DOWNWIND – NIVEL INTERMÉDIO.

PASSAR A ZONA DE REBENTAÇÃO

Artigo com as melhores dicas e opiniões dos profissionais, sobre como devemos passar a rebentação sem problemas. Artigo completo em inglês AQUI em SURFSKI.INFO.
[Todos os atletas de topo concordam nestes pontos: ter muita calma; não entrar logo na zona de impacto; observar as sequências de ondas; aproveitar uma abertura entre ondas; a zona de impacto tem poucos metros de largura; quando decidimos avançar atacamos as ondas sem hesitar; manter a pagaia por cima da espuma das ondas; e só paramos depois de passar a zona de impacto.

Zona de Rebentação: é uma faixa muito estreita onde as ondas têm mais energia e quebram. Fica entre a área em que a crista da onda começa a criar espuma até a zona de espuma depois da onda quebrar.

Zona de Impacto:é o local exato onde a onda quebra e fica dentro da zona de rebentação. É o que temos sempre de evitar e é a zona mais perigosa. 
O melhor mesmo é ler o que cada um tem para nos dizer e aprender com os mais experientes. Especial atenção ao que diz o MARK LEWIN no final.]
A passar a rebentação. Será esta a forma correcta?
PASSAR A ZONA REBENTAÇÃO
Esta sequência foi tirada na praia de Amanzimtoti, Durban, África do Sul. Apesar da rebentação ser relativamente pequena, podia castigar os mais desatentos e o dia terminou com vários surfskis partidos.
Fotos de Anthony Grote – mais fotos em www.anthonygrote.com
Esta é uma sequência interessante porque ilustra vários dos pontos importantes sobre como passar a rebentação.
A forma correcta de fazer.
O canoísta em primeiro plano é o muito experiente Mark Lewin. Ele estava antes da zona de impacto [onde a onda quebra] e viu a próxima onda a aproximar-se. Em vez que ir contra a onda, colocou as pernas para fora para travar o surfski. Está à espera que a onda quebre e depois avança pela espuma, passa por cima dela e segue caminho.
A forma errada de fazer.
O canoísta mais à frente foi contra a onda. A técnica para enfrentar a onda está correcta – reparem que ele inclina-se para a frente e coloca a pagaia de lado, mas…
Em primeiro lugar não deveria ter-se colocado naquela situação. Se tivesse esperado, tinha deixado a onda quebrar à sua frente e depois passava por cima da espuma. Aconteceu que… ele atravessa a onda sem se virar mas é puxado para trás e perde muito terreno.
Ele deve ter sido puxado para trás para aí uns 100 metros!” Disse Mark Lewin. “E eu passei por ele na boa.”


Neste caso o canoísta não alinhou a pagaia com a onda e levou com toda a energia da onda. Também é puxado para trás.

Fotos de Anthony Grote – mais fotos em www.anthonygrote.com

O que têm para dizer os profissionais sobre como passar a rebentação? Perguntámos a uma selecção de canoístas experientes, homens e mulheres, e isto é o que eles têm para nos dizer:
MATT BOUMAN
Qual é a melhor forma de passar a rebentação? O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
Não compliquem as coisas. Decidam bem. A zona de impacto [onde podes levar com a onda] provavelmente só tem 10 metros de comprimento. Antes ou depois desta zona pode intimidar mas apenas isso porque não te vai fazer mal. Não abrandes a não ser que seja óbvio que vais ser apanhado no sítio errado e à hora errada. Se achares que tens 50/50 de possibilidade… avança. É sempre mais fácil passar a rebentação em velocidade. Uma coisa que nunca vais querer é estar parado na zona de impacto.
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BARRY LEWIN
Não tenhas receio, se hesitares não tens hipóteses, planeia bem, ataca sempre a onda, a velocidade é fundamental, faz diagonais se necessário (se soprar vento).
Nós passamos a rebentação todos os dias. Eu vivo em Umhlanga e treino em frente à minha casa, por isso tenho muita prática. Quanto mais praticares a saída nas ondas mais confiança terás e isso é o mais importante. A minha vantagem é que eu não tenho medo de passar a rebentação.
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OSCAR CHALUPSKY
Qual é a melhor forma de passar a rebentação? O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
A pergunta pode ter várias respostas porque podemos passar a onda nas suas diversas fases. Se tivermos pouca espuma a melhor forma é inclinarmo-nos um pouco para trás antes da espuma atingir a frente do barco para levantar um pouco a proa. Mantém a pagaia por cima da espuma e coloca a pá na água por trás dessa espuma.
Se a espuma da onda estiver acima da tua cabeça tens de fazer o que se faz quando damos de frente com um grande onda que é: colocar a pagaia de lado e perpendicular ao surfski e baixarmo-nos para a frente mantendo a cabeça em baixo.
NUNCA mantenhas a pagaia em frente à tua cara porque uma coisa é certa; ou a pagaia te vai bater na cabeça ou partes o tubo ou a cabeça.
Assim que passares a onda tens de colocar uma pá na água o mais rápido possível para evitar seres puxado para trás com a onda.
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DAWID MOCKE
Qual é a melhor forma de passar a rebentação?
Tens de atacar as ondas e não podes hesitar quando decides passar a rebentação.
O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
Tens de saber onde é a zona de impacto e planear a tua saída para um momento de acalmia entre ondas. Lembra-te que geralmente a zona de impacto é uma área que se atravessa em apenas 20 a 30 pagaiadas.
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MICHELE ERAY
Qual é a melhor forma de passar a rebentação?
A melhor forma é ter paciência. Se tiveres tempo observa as ondas a quebrar, tenta descobrir a sequência de ondas, procura uma corrente de revés ou algo que te ajude a passar mais facilmente. Depois escolhe o momento de acordo com o que observaste. Tem paciência e não te preocupes se for preciso esperar um pouco na zona antes da rebentação passando pequenas espumas.
O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
A melhor dica para teres sempre em mente é que tens de estar sempre a pagaiar. Se parares vais ser arrastado para trás, por isso, rema com força contra a onda e continua até passares a zona de impacto.
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JEREMY COTTER
Qual é a melhor forma de passar a rebentação? O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
A melhor forma de passar a rebentação, especialmente nos surfskis mais compridos, é ter calma e ter a noção das ondas que vêm mais atrás e não estarmos focados apenas na que está a quebrar à nossa frente porque senão pode acontecer que a onda que te quebra em cima é uma que tu nunca viste.
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HANK MCGREGOR
Qual é a melhor forma de passar a rebentação? O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
A melhor forma de passar é rebentação é ter calma e observar a zona de rebentação antes de nos fazermos a ela. Se soprar vento, usa-o a teu favor, indo na mesma direcção do vento para ter alguma ajuda. Procura uma aberta ou corrente e usa-a. Tudo isto te pode ajudar se precisares.
Quando estás a passar a espuma ou ondas a quebrar passa sempre a pagaia por cima e tenta puxar-te para lá da onda. – é nesta fase, antes do impacto, que a maioria dos canoístas tenta fazer um apoio em vez de continuar a remar. Acho que o truque é estar 100 por cento focado e nunca hesitar quando estamos na zona de impacto.
Tenta olhar para além da onda à tua frente e ver como está a onda por trás para saberes que direcção tomar. Aumenta a cadência de remada em vez de tentares remar com mais força porque nesta fase tens muita resistência [a energia das ondas] contra ti.
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MARK LEWIN
Qual é a melhor forma de passar a rebentação? O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
O erro mais comum que eu vejo o pessoal fazer é avançar demasiado na zona de rebentação ou tentar passar por cima da espuma das ondas que quebraram, muito em cima da zona de impacto.
O que acontece é que eles geralmente estão a ser puxados para trás ou para os lados pela energia da onda que os atingiu e perdem a oportunidade de apanhar uma aberta entre ondas sem serem apanhados na zona de impacto. Se aguardarmos mais atrás da zona de impacto conseguimos observar, ter sempre controlo sob o nosso surfski e estamos sempre a andar para a frente. Quando há uma aberta entre ondas, facilmente conseguimos acelerar o nosso surfski.
Na largada de uma competição com muita gente, o dilema de um atleta experiente é que ao esperar afastado da zona de rebentação, é ultrapassado pelos “aventureiros” que se fazem logo às ondas. Muitos deles vão ser empurrados para trás e até saltam dos surfskis e quando há uma abertura entre ondas fica com uma série de atletas à sua frente a tentar corrigir a trajectória ou a voltar a subir para o surfski e não consegue aproveitar essa oportunidade.
Eu prefiro abdicar da trajectória mais curta a favor de mais espaço para ter a certeza que fico com uma área livre à minha frente.
Outro erro comum que vejo e que provoca estragos em muitos surfskis é que quando os atletas são apanhados na zona de rebentação, especialmente em zonas de baixa profundidade, tentam sempre manter-se sentados. Com o peso do atleta no meio de um surfski com 6,80 metros que pesa menos de 20 kg, mais a energia da onda a quebrar no barco, é mais que provável que o surfski seja puxado para trás a vá bater no fundo ou noutros surfskis que vêm de trás. E isto resulta sempre em surfskis partidos! É muito melhor sair do surfski antes da onda quebrar, virar o casco para cima e agarrar o footstrap com uma mão. Afastar a mão que está a agarrar a pagaia, mergulhar e empurrar o surfski na direcção da onda. Com o nosso corpo debaixo do barco a energia da onda dissipa-se por cima do surfski. Não és muito puxado para trás e é menos provável que percas ou estragues o teu surfski.

VOLTAR A SUBIR PARA O SURFSKI – SUBIDA LATERAL

Falámos sobre a subida por trás neste post e agora vamos falar sobre a subida lateral.

É aquele que mais se vê e é uma entrada lateral no surfski. Quando se domina bem esta técnica é a forma mais rápida de voltar a subir para o surfski.

1º PASSO
Igual ao da subida por trás. Podes ver AQUI.

[A posição da pagaia pode variar. Podemos agarrar a pagaia ao longo do surfski com a nossa mão que está mais afastada e que agarra a parte lateral do surfski.]


2º PASSO
Também igual ao da subida anterior. Podes ver AQUI.

[Com a prática o movimento pode ser contínuo sem precisarmos de fazer uma pausa depois do impulso inicial.]


3º PASSO
Puxamos o tronco para cima e rodamos o corpo para que o rabo fique no assento e as pernas de fora do surfski.

O rabo tem de ficar no meio do assento para que não fiquemos sentados na lateral do assento do barco. Se isso acontecer o surfski vai inclinar e é muito difícil recuperar dessa posição, tendo de reiniciar a subida. Depois colocamos uma perna de cada lado do surfski e estamos prontos para remar. 


[Quem se sente à vontade em termos de equilíbrio ou quando não há vento e ondas não é necessário colocar uma perna de cada lado do surfski. Fazemos como o Oscar Chalupsky faz neste vídeo e ficamos logo em posição de voltar a remar.]

Este tipo de subida é mais difícil para quem está a aprender ou em situações extremas porque podemos ficar sentados na lateral do assento a empurrar o surfski para baixo e assim torna-se muito difícil voltar a entrar no barco tendo de reiniciar o movimento.

Desta posição vamos rodar o tronco para colocar o rabo no assento e as pernas de fora.
O rabo tem de cair meio do assento para não ficarmos sentados na lateral do surfski.
Agarramos a pagaia com as duas mãos e colocamos uma perna de cada lado do surfski.
[Quem se sente à vontade em termos de equilíbrio ou quando não há vento e ondas não é necessário colocar uma perna de cada lado do surfski. Fazemos como o Oscar Chalupsky faz neste vídeo e ficamos logo em posição de voltar a remar.]

VOLTAR A SUBIR PARA O SURFSKI – SUBIDA POR TRÁS

Existem 2 métodos. A subida por trás que vamos falar aqui e a subida lateral que podes ver nesta ligação.

De todos os elementos de segurança necessários, o conseguir voltar a subir para o surfski é, senão o mais importante, aquele que mais deves treinar, para que em condições extremas consigas voltar a sentar-te no teu surfski sem ajuda de ninguém.

Se não souberes voltar a subir para o surfski vais andar sempre em stress com ondas porque não sabes o que pode acontecer se te virares. É como não saber fazer esquimotagem e quereres fazer águas bravas ou kayak-polo, vais andar sempre mais preocupado com o poderes virar-te e sair do kayak do que com as descidas ou o jogo.


Para alguns canoístas voltar a subir para o surfski é quase inato e óbvia a forma como devemos fazer o movimento. Neste post vamos esmiuçar os detalhes para que todos consigam entender que os pormenores vão fazer muita diferença quando tiveres de voltar a subir para o surfski.

 Mesmo os canoístas que sabem voltar a subir para o surfski sem qualquer dificuldade devem ler este post e ter sempre presentes os movimentos básicos porque canoístas experientes, normalmente, só se viram em condições extremas (com muito vento e muitas ondas). 

Voltar a subir para o surfski em águas calmas é uma coisa, voltar a subir no meio do mar com ondas de 3 metros ou mais e ventos de 30 km hora é outra completamente diferente. Nessas condições, os detalhes vão fazer a diferença entre conseguir subir ou ficar a boiar agarrado ao surfski (se tiveres o leash).

SUBIDA POR TRÁS

1º PASSO
Colocar a pagaia atravessada (perpendicular) no surfski para dar alguma estabilidade. A pagaia fica junto ao finca-pés. Agarrar a pagaia e o foot-strap ao mesmo tempo. Em alguns surfski não consegues agarrar o foot-strap e a pagaia ao mesmo tempo por serem muito altos na zona do finca-pés. Nesses surfskis agarras a parte lateral do barco e com o polegar fazes pressão na pagaia e ela não se move.

Agarramos a pagaia à frente porque, se ficar ao lado do surfski, ao subirmos podemos ficar sentados com as pernas por cima da pagaia ou se a pagaia ficar de lado e não a agarrarmos, a onda provocada pela nossa impulsão (passo seguinte), pode afastar a pagaia do surfski e depois ficas sentado no surfski com a pagaia afastada do barco.
Pagaia atravessada na perpendicular e uma mão de cada lado.

2º PASSO
Movimento mais difícil: a impulsão. Estamos dentro de água e com a mão livre (a outra está a agarrar a pagaia e o foot-strap) vamos agarrar o surfski na parte lateral que está mais afastada de nós com o cotovelo junto ao assento do surfski. 
Puxamos o corpo para cima do surfski e mantemos as pernas à superfície da água para termos mais establidade. Nesta posição com o peito apoiado no surfski e as pernas à superfície, temos um centro de gravidade baixo, estável e confortável. O teu corpo fica perpendicular ao surfski, fazendo uma cruz.

As pernas ajudam na impulsão. O cotovelo dentro do surfski junto ao assento.

Pormenor das pernas à superfície para dar mais estabilidade. O corpo penpendicular ao surfski.

3º PASSO
Passamos a perna por cima do surfski (por trás do assento) e ficamos em cima do surfski. A outra mão vai também agarrar o foot-strap e lentamente (mantendo o centro de gravidade baixo) vamos puxar-nos para o assento. Quando estivermos com o rabo na zona do assento vamos levantar o tronco mas mantendo sempre a pagaia nas mãos e baixamos a pernas para dentro de água para darem estabilidade (funcionando como pêndulos).
Ficamos assim com as pernas na água, as mãos na pagaia e perfeitamente estáveis. Nesta posição basta colocarmos a pernas de novo no surfski e estamos prontos para voltar a remar.

Passar a perna por cima do surfski.

Pernas de lado e ao longo do surfski e mãos na pagaia. Nesta posição estamos estáveis.
Vamos puxar-nos (pelo foot-strap) para a posição correcta com o rabo na zona do assento.
Erguer o tronco com as mãos na pagaia. Pernas dentro de água para dar estabilidade. 


 

O VENTO E O WINDGURU

Há 2 tipos de vento: o vento onshore e o offshore. O vento onshore sopra do mar para terra e o vento offshore sopra da terra para o mar. Por exemplo, na Póvoa do Varzim, um vento de Este é offshore e um vento de Oeste é onshore.

O vento onshore vai tornar o mar agitado e instável e não te vai parecer muito agradável para remar mas está a empurrar-te de volta para a costa, ao contrário do vento offshore que deixa o mar liso e calmo e a convidar a uma remada mas que te vai empurrar para longe da costa, por isso, essencialmente é preciso ter em conta que o vento offshore é o mais perigoso.

É muito importante ter sempre a noção de como está o vento, especialmente se for um vento offshore que te empurrará para longe da costa e por isso não te deves aventurar para muito longe se te estiveres a iniciar na modalidade ou a utilizar um surfski mais instável do que aquele que estás habituado porque pode ser muito difícil regressar para perto da costa.

Quem quer aproveitar as características do surfski e usá-lo em trajetos a favor do vento para aproveitar as condições de mar e de vento a seu favor tem no windguru uma aplicação indispensável. É importante saber quais as condições que vamos encontrar e onde devemos entrar e sair para fazer o melhor trajeto a favor do vento.

Neste post vamos falar um pouco sobre como interpretar toda a informação que o windguru nos fornece. Como já falámos aqui a intensidade e direção do vento influenciam a ondulação.

Na imagem podemos ver toda a informação que o windguru nos dá.



Velocidade do vento: Média da velocidade do vento em 10 minutos a 10 metros acima da superfície do mar. Normalmente ventos inferiores a 10 nós não têm força suficiente para levantar ondas que permitam surfar sem grande esforço. Ventos muito fortes (superiores a 25 nós) requerem alguma destreza, por isso, se ainda te estás a iniciar convém teres atenção redobrada e utilizares todo o equipamento de segurança indicado aqui.

Rajadas: velocidade dos ventos fortes e de curta duração.
Direção do Vento: Quando a seta aponta para baixo No vento sopra de Norte para Sul. Exemplo para vento Sudoeste:SWO vento predominante na costa Ocidental é de N (Norte) e na costa sul é de NW (Noroeste) o que provoca boas ondas para surfar nas duas costas, exceto nas baías protegidas, claro.

Ondulação: Altura significativa da vaga em metros: representa a altura média (da crista à cava) de um terço das maiores vagas no local. Tens que ter em conta o local onde queres entrar e sair da água. Se for uma praia protegida da vaga não tens problemas mas se a vaga entrar diretamente na praia convém teres algum cuidado co ondas de tamanha superior a 1,5 metros.

Período da Vaga: Período entre cristas em segundos. É o período das vagas dominantes, resultante do seu espectro de energia; podem ser “vagas de vento” geradas localmente (no caso de existirem fortes ventos locais) ou vagas marítimas geradas noutro local.Quando o período é pequeno (abaixo dos 10 segundo) as ondas têm menos energia mas é mais fácil surfá-las ao largo. Quando o período da vaga é superior a 10 segundos, a vaga desloca-se com mais energia mas se não houver vento (a criar ondaslocais) torna-se muito difícil surfar estas ondas.

Direção da Vaga: direção das vagas dominantes.Aplica-se a mesma interpretação da “direção do Vento”. 

ONDAS – CARACTERÍSTICAS, TIPOS E COMO SE FORMAM

Para melhor entendermos o padrão das ondas e melhor conseguirmos surfar as ondas, vamos precisar de conhecer um pouco as suas características e os tipos de ondas que podemos encontrar.

Porque no mar não existe uma trajectória única e perfeita para o nosso downwind, quanto mais nós soubermos sobre as várias ondas que podemos encontrar, mais fácil vai ser o posicionamento do nosso surfski na onda e a ligação entre ondas. 

CARACTERISTICAS DAS ONDAS

Uma onda ideal apresenta partes altas (cristas) e baixas (cavas).
Altura da onda (H): diferença de altitude entre cristas e cavas
Comprimento de onda (L): distância horizontal entre 2 pontos homólogos consecutivos (cristas ou cavas)
Declive da onda (H/L): relação entre comprimento e altura
Período (T) da onda: o tempo que demora a passar uma onda completa
Frequência (f): é o número de cristas ou de cavas que passa num dado ponto num minuto. É igual a 60/T.
Fig. 1 – Características das ondas orbitais



TIPOS DE ONDAS

ONDAS DE AGUAS PROFUNDAS
São as ondas que surfamos ao largo e aquelas que gostamos de fazer a ligação entre elas para ganhar mais velocidade e sermos mais rápidos que as próprias ondas. São ondas que ocorrem quando a profundidade é maior que metade do comprimento de ondas.
Não são afectadas pelos fundos oceânicos.
As órbitas circulares das partículas de água têm um diâmetro igual à altura da onda. Quando uma partícula está na crista da onda, move-se no mesmo sentido da propagação da energia. Quando está na cava, move-se no sentido inverso, ou seja na cava da onda vamos apanhar a àgua a mover-se no sentido contrário à nossa progressão.



Fig. 2 – Transmissão da energia do vento para as ondas

ONDAS DE ÁGUAS BAIXAS (shallow water waves). 
São as ondas que vamos apanhar ao nos aproximar-mos da costa. São ondas cuja profundidade é inferior a 1/20 do comprimento de onda. Incluem-se nesta categoria as ondas geradas pelo vento quando se aproximam da linha de costa. A sua velocidade aumenta com a profundidade. A movimentação das partículas em águas pouco profundas é uma órbita elíptica muito achatada que se aproxima da oscilação horizontal.




Fig. 3 – Modificações sofridas pelas ondas quando se aproximam das linhas de costa.

ONDAS DE TRANSIÇÃO
As ondas de transição acontecem quando a profundidade é inferior a metade do comprimento de onda mas maior que 1/20 do comprimento de onda. A sua velocidade é controlada em parte pelo comprimento de onda e em parte pela profundidade.

Fig. 4 – Ondas de água profundas, intermédias e pouco profundas

ONDAS CRIADAS PELOS VENTOS
São aqueles que mais nos interessam e para as quais os surfski foram criados.
Quando o vento sopra, as tensões por ele criadas (fig.5) deformam a superfície do oceano sob a forma de pequenas ondas com cristas arredondadas e cavas em forma de “V” e com comprimentos de onda muito curtos, inferiores a 1,74 cm. Chamam-se rídulas (ripples) e a tensão superficial da água tem tendência a destruí-las, restaurando a superfície lisa da água (fig. 6, parte esquerda).
Fig. 5 – Transmissão da energia do vento para as ondas

À medida que estas ondas se desenvolvem, a superfície do mar ganha um aspecto irregular, o que permite uma maior exposição ao vento e uma maior transferência da energia do vento para as águas. Quando essa energia aumenta desenvolvem-se ondas de gravidade. Estas têm comprimentos de onda superiores a 1,74 cm e uma forma sinusoidal (fig. 6, parte média). Uma vez que atingem uma maior altura, a gravidade torna-se a principal força de restauração da superfície, daí o nome de ondas de gravidade.
Se a energia que lhes é fornecida aumentar, a altura da onda aumenta mais do que o comprimento. Assim, as cristas tornam-se pontiagudas e as cavas arredondadas (fig. 6, direita).
Fig. 6 – Ondas de capilaridade e de gravidade

A energia do vento faz aumentar a altura, comprimento de onda e velocidade das ondas. Mas quando a velocidade das ondas iguala a dos ventos, já não é adicionada mais energia à onda, que atinge então a sua maior dimensão. A zona de origem das ondas (em inglês designa-se como “sea“) é caracterizada por uma superfície eriçada por ondas de pequeno comprimento de onda, com ondas movendo-se em várias direções e com diferentes períodos e comprimentos de onda (fig. 6). Este facto deve-se à acentuada variação da direção e velocidade do vento.
Outros fatores que condicionam a energia das ondas são a duração do impulso do vento numa dada direção e fetch (distância em que o vento sopra na mesma direção).

SWELL
O sweel  são ondas de gravidade que não foram criadas pelo vento local
Quando as ondas se aproximam das margens oceânicas, onde a velocidade do vento diminui, elas podem viajar mais depressa que o vento. Nessa altura o declive da onda diminui e elas transformam-se em ondas com longas cristas designadas como “swell” (fig.7). O swell pode deslocar-se ao longo de grandes distâncias sem perda significativa de energia. Sistemas de ondulação originados na Antárctida foram encontrados a quebrar no Alasca, depois de viajar mais de 10.000 km. As ondas com maior comprimento de onda serão aquelas que viajam mais depressa, porque, em águas profundas, a velocidade é função do comprimento de onda.
Fig. 7 – Exemplo de Swell
PADRÕES DE INTERFERÊNCIA
Porque o swell de diversas tempestades coexiste no oceano, é inevitável que venham a colidir e interferir uns com os outros. Isso cria padrões de interferência. Trata-se da soma algébrica da movimentação que cada uma delas produziria de per si. Quando os sistemas de ondas de 2 áreas de origem colidem, o resultado pode ser construtivo, destrutivo, e mais frequentemente, misto.
A interferência construtiva acontece quando ondulações com o mesmo comprimento de onda se encontram em fase, o que significa que as cristas e as cavas coincidem. A onda resultante terá o mesmo comprimento de onda e uma altura que será a soma das alturas individuais (fig. 8, esquerda).
A interferência destrutiva acontece quando as cristas de um sistema coincidem com as cavas de outro. Se os sistemas de ondulação têm características semelhantes, a soma algébrica será zero, e a energia de um será cancelada pela do outro (fig. 8, centro).
Porém, é mais provável que haja ondas de diversos comprimentos e alturas em cada sistemae por isso, que se desenvolva uma interferência mista. É por isso que, os sistemas de ondulação que chegam à costa geralmente têm padrões irregulares com sequências de ondas altas e baixas (fig.8, direita).
Fig.8 – Padrões de Interferência

ONDAS LIVRES E ONDAS FORÇADAS
As ondas forçadas são mantidas pelo vento, de tal forma que as suas características estão adaptadas a ele.

Nas ondas livres a movimentação dá-se de acordo com os ventos na área de origem mas não existe uma força que as mantenha em movimento. Mesmo na área de origem, existe uma mistura entre ondas livres e forçadas. Além disso, dado que o vento é variável, há sempre vários sistemas de ondas criados em cada área de origem. 


ONDAS TRAIÇOEIRAS (Rogue Waves)
Uns dos mistérios do oceano são as causas das ondas traiçoeiras, ondas maciças que podem atingir o equivalente a 10 andares de altura (cerca de 30m!). Resultam de raras coincidências num comportamento normal das ondas.
No oceano aberto, uma onda em cada 23 terá mais do dobro da altura média. Uma em 1175 terá uma altura 3 vezes maior e uma em 300,000, quatro vezes maior.
Provavelmente elas são devidas a uma interferência construtiva extraordinária. São mais frequentes a sotamar de ilhas ou baixios e onde ondas de tempestade chocam contra fortes correntes marítimas. 



REBENTAÇÃO (Surf)
Quando a profundidade é inferior a 1/20 do comprimento de onda as ondas começam a comportar-se como ondas de pequena profundidade. A movimentação das partículas é muito retardada pela acção do fundo e existe um significativo transporte de água em direcção à linha de costa (fig. I).
O fundo marinho, a baixa profundidade, interfere com o movimento das partículas na base da onda, atrasando-a. Por isso, há uma espécie de compressão das cristas das ondas, o que reduz o respectivo comprimento de onda. Esse facto é compensado por um aumento da altura.
As cristas tornam-se estreitas e pontiagudas e as cavas tornam-se curvas largas, tal como nas ondas de alta energia do mar aberto. O aumento da altura acompanhado de diminuição do comprimento de onda aumenta o declive da onda (H/L). Quando este atinge 1/7, a onda quebra (fig. I).
A vaga mais vulgar é a vaga por derramamento (spilling breaker, fig. 9). Esta resulta de um declive relativamente suave do fundo, que extrai energia mais gradualmente da onda, produzindo uma massa turbulenta de ar e água que escorre na frente da onda em vez de encaracolar no topo.
Nas vagas em voluta a crista da onda adianta-se muito em relação à sua base e desaba por falta de apoio. Estas vagas em voluta formam-se em praias com um declive moderado (fig. 9).
Se o declive da praia e a altura da onda foram muito acentuados, a onda quebra sobre a forma de grandes rolos ou vagalhões (surging breakers, fig. 9). É o que acontece com as vagas de tempestade.
Fig .9 – Rebentação. Vagas por derramamento, voluta e rolo. 

REFRACÇÃO DAS ONDAS
As ondas começam a arquear-se e os comprimentos de onda a tornarem-se mais curtos quando os sistemas de ondulação “sentem o fundo” ao aproximar-se da linha de costa.
É raro que o ângulo de aproximação à praia seja exactamente 90°. Por isso, alguns sectores começarão a “sentir o fundo” mais cedo e atrasar-se-ão em relação ao resto da onda. Disso resulta uma curvatura da frente da onda que se designa como refracção da onda
Na figura 10, vemos como uma topografia de fundo irregular atrasa certas partes da onda que se aproxima da costa. 
A refracção distribui energia de uma forma desigual na praia. Se construirmos linhas perpendiculares à frente das ondas, e as espaçarmos de modo que a energia nesses sectores seja sempre igual, obtemos linhas ortogonais (fig. 10) que nos ajudam a compreender como a energia das vagas se distribui. As ortogonais convergem nos promontórios e divergem nas baías. Por isso a energia e a erosão será maior nos promontórios e mais dispersa nas baías, onde pode ocorrer acumulação de areias. A maior energia nos promontórios é demonstrada pela existência de ondas mais altas.
Fig.10 – Refracção das ondas

REFLEXÃO DAS ONDAS
Nem toda a energia das ondas é consumida quando elas esbarram contra a linha de costa. Uma parede vertical, tal como um molhe, pode reflectir a ondulação de volta para o oceano, com pouca perda de energia (fig. 11). A reflexão das ondas nas barreiras costeiras ocorre segundo um ângulo igual ao ângulo de incidência.



Fig.11 – Reflexão das ondas














NELO VIPER 55 SKI – DISPONIVEL PARA TESTE PORTIMÃO

Está disponível para teste na Marina de Portimão o novo surfski NELO Viper 55 Ski.Um surfski rápido, confortável e muito estável. Ótimo para que está a dar os primeiros passos.

O teste é gratuito mas é necessário informar hora e dia para verificar disponibilidade. 

Para já temos indicação que o surfski estará disponível para teste até ao Nelo Summer Challenge no dia 1 de Setembro.

O centro de treino de surfski da Marina de Portimão fica localizado na Fortaleza de Santa Catarina na Marina de Portimão (junto às Escolas de surf e mesmo ao lado da mercearia e das escadas de acesso à fortaleza) a 50 metros da praia.


Aproveitem porque o tempo passa depressa.

INICIAÇÃO AO SURFSKI – EQUIPAMENTO DE SEGURANÇA

Para além do equipamento essencial que já falámos aqui, consoante a distância que vamos fazer, o local e as condições do tempo e do mar, devemos utilizar mais equipamento que garanta uma utilização segura do surfski.
Das conversas que vou tendo com o pessoal que anda de surfski, por vezes aparece sempre um céptico que acha que é equipamento a mais e que não é necessário. Eu fui um dos cépticos durante algum tempo mas depois de passarmos por alguns “apertos” chegamos à conclusão que não é necessário correr riscos.
No surfski nós queremos ondas criadas pelo vento e para isso temos de nos afastar da costa. Estando a remar ao largo ficamos mais vulneráveis do que se estivermos num estuário ou a remar junto à praia. Imaginem que partem um cabo de leme ou a pagaia e estão sozinhos a 2 km da costa, com vento offshore (de terra para o mar). Em menos de 1 hora o vento leva-nos para muito longe da costa. Não custa nada.
Telemóvel:
Levar o telemóvel dentro de uma bolsa estanque. No dia em que estiverem em apuros vão ver que telemóvel é essencial. Não se esqueçam de ir às definições do telemóvel (ANTES de ir para a água) e por em modo “altifalante” e de saber para quem vão ligar em caso de emergência. Um amigo que esteja em terra ou que faça parte do grupo que está convosco na água ou o piquete da Polícia Marítima.
Bolsa estanque
Flares ou Facho Sinalizador:
Os flares são sinais visuais de socorro utilizados no mar, qualquer embarcação que navegue fora das barras deve ter sempre 2 fachos de mão. A Polícia Marítima é bastante condescendente em relação a isto porque normalmente o pessoal anda junto à costa mas quando andamos ao largo o que é frequente nas sessões de downwind não devemos prescindir de equipamentos de salvamento e sobrevivência que envolvam alerta e sinalização e devemos ter um no surfski. Ao accionar eles produzem uma queima emitindo luz encarnada brilhante visível a grande distância, durante cerca de 1 minuto.
Não pesam nada, colocam no vosso colete e até se esquecem que lá está.
Roupa:
No surfski, por ser um kayak sit-on-top, ficamos muito expostos. É importante termos equipamento adequado para nos proteger do frio e o calor.
Para o frio e vento é bom um fato de neopreno com alças. Protege-te as pernas e o tronco do frio e não te restringe o movimento de remada. Existem boas opções na Decathlon a preços acessíveis.
Para o sol e calor umas calças e camisolas de Lycra são suficientes. Claro que queremos sempre aproveitar para nos bronzear, o que é justo, mas tenham cuidado se forem remar muitas horas, especialmente com muito calor e vento porque o sol rebenta com a pele. Não se esqueçam que as queimaduras de sol são passageiras mas os seus efeitos a longo prazo não são porque a pele não esquece os escaldões que sofre ao longo da vida.
Hidratação:
Sobre os benefícios de uma boa hidratação podem ler aqui neste site e não consigo acrescentar mais nada, apenas reforçar que é importante levarmos sempre água ou outro líquido hidratante.
A melhor forma de levar a água é numa  bolsa tipo Camelback. Podem colocar a bolsa de água no colete e o tubo preso na alça para evitar terem de parar de remar cada vez que bebem água. Também podem fixar a bolsa de água ao surfski, nos elásticos atrás ou à frente do finca-pés. Neste caso vão ter de trocar o tubo original por um mais longo. Podem comprar esse tubo no AKI na secção da jardinagem ou em lojas que vendam material para aquários.
Tenham sempre o cuidado de prender o tubo junto à boca porque se o tubo for solto podem perder a água toda sem se aperceberem.
Bolsa de água
Para além do que falámos usem protector solar q.b. e chapéu. Sofrer uma desidratação em pleno mar não é nada agradável.