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MOLOKAI – IDENTIDADE CHALUPKSY

Oscar Chalupsky em acção.
A North Coast Kayaks entrevistou o Óscar Chalupsky a poucos dias da sua tentativa de revalidar o título do Molokai. A entrevista original pode ser lida AQUI.

NCK: Quer se goste ou não, a tua grande vontade de competir e vencer é famosa no mundo da canoagem – e também em muitos campos de golf e bares. Tens 50 anos e vais regressar ao Molokai para defender o título e tentar o 13º. Essa chama competitiva ainda arde com a mesma intensidade de quando participaste no teu 1º Molokai? O que mudou para ti desde aí?

Oscar: Sim, a chama da competição ainda arde e muito. A minha vontade de competir é tão intensa agora como na minha juventude. A única diferença é que eu agora tenho muito mais experiência do que há 30 anos atrás – o que é uma vantagem, especialmente numa prova longa e técnica como o Molokai.

NCK: Psicologicamente, quão mais difícil é para ti, preparar um evento tão esgotante como a travessia do Molokai? Como adaptaste o teu treino, com o avançar da idade, para garantir que estás pronto?

Oscar: Eu continuo a treinar intensamente mas a experiência também me tornou mais cuidadoso. Ao longo dos anos aprendi o que temos de cumprir para estar em forma. Hoje em dia faço mais treinos de técnica, muitos mais do fazia quando venci o meu primeiro Molokai. Dou ouvidos às opiniões dos médicos sobre a importância do descanso adequado, coisa que dantes era um dado adquirido para mim. 

NCK: Os conhecimentos sobre nutrição e o treino científico evoluíram muito nos últimos anos. Como é a tua dieta nos 4-5 meses que antecedem o Molokai? Tens de ter mais atenção nessa fase para conseguires tirar mais proveito do teu treino, descanso, etc? 

Oscar: Nisso não sou muito diferente agora do que era há uns anos atrás! Concentro-me em perder alguns quilos antes da prova mas os meus hábitos e a dieta mantém-se. Honestamente, acho que uma das razões que me fazem continuar bem e manter-me competitivo é ter encontrado um equilíbrio. Não sou muito rígido naquilo que faço. Gosto de treinar muito forte e aproveito muito bem o tempo fora d’água.

NCK: O desenho dos barcos e a tecnologia desenvolveram-se bastante nos últimos anos. São mais leves, mais resistentes, mais rápidos e no entanto são mais estáveis (ou mais rápidos porque são mais estáveis). Que impacto, esta nova vaga de surfskis, teve na tua capacidade de te manteres competitivo?

Oscar: Sempre consegui utilizar os surfskis muito rápidos e instáveis mas estes novos skis têm mais estabilidade que facilitam muito na fase final da prova quando o cansaço se começa a sentir. Em minha opinião a redução do peso fez uma grande diferença e sinto que as novas gerações são mais rápidos – ajudados por extractores que recolhem, etc. A técnica e capacidade física são importantes mas estes novos surfskis foram um grande trunfo na minha carreira.

NCK: E no entanto, apesar de todos os avanços no treino e equipamento, o record do Dean [Gardner] ainda se mantém. O vento e as ondas no dia da prova parecem ser a maior vantagem dos atletas. As condições são o maior factor do teu sucesso – quer seja nos teus 20’s ou nos 50’s anos?

Oscar: A arte de remar em downwind [favor do vento] e a capacidade de perceber o oceano, é vital para que um atleta de surfski tenha sucesso. As condições meteorológicas têm sido o factor mais importante para o meu sucesso no Molokai. Eu não consigo ganhar aos mais novos se no dia da prova o percurso estiver flat. E sim, o recorde vai cair se tivermos boas condições meteorológicas… 

NCK: Que condições, de vento e ondas, queres/precisas para tentar alcançar o teu 13º título no Molokai?  

Oscar: Desde que o vento sopre a mais de 10 nós – é tudo o que preciso para ter uma oportunidade de vitória.   

NCK: O Joe Glickman disse uma vez que o Molokai é parte da tua identidade, algo que cobiças. Parece ser esse o caso ao longo de toda a tua carreira. O que tem esta prova para valer tanto para ti? Tens outros objectivos, dentro ou fora de água, que valham tanto a pena para ti como uma vitória no Molokai?   

Oscar: Eu considero o Hawaii um local muito especial e vencer lá tantas vezes, ainda o tornou mais especial para mim. Por isso o local e o percurso têm um significado muito importante para mim. É uma das provas internacionais mais disputadas e já se realiza há quase 40 anos. Tem um historial incrível e é muito atractiva para qualquer pessoa que entre no mundo das provas oceânicas. Eu ando por todo o mundo a dar aulas de canoagem e todos os meus alunos têm uma coisa em comum: gostariam de participar numa travessia do Molokai, sem pensar na vitória.

NCK: Nem tu vais conseguir vencer para sempre. Achas que vais continuar a regressar apenas para fazer parte do evento, mesmo quando a probabilidade de venceres for reduzida? Por essa altura quantos títulos achas que já arrecadaste?

Oscar: Wow! Essa pergunta é interessante e no entanto eu não tenho resposta! Não faço ideia quanto tempo conseguirei continuar a lutar pela vitória. Gostaria muito de vencer o meu 13º título aos 50 anos e depois logo se vê. Uma coisa é certa: Continuarei a regressar ao Hawaii e ao canal Kai’wi e a divertir-me, mesmo quando já não conseguir vencer.

CONVERSAS DE PRAIA – MÁRIO SANTOS

Original DAQUI
Mário Santos é o Presidente da Federação Portuguesa de Canoagem e foi Chefe de Missão Olímpica aos Jogos de Londres 2012, onde Portugal conquistou a sua primeira medalha em canoagem.
Também canoísta, Mário Santos não perde uma oportunidade para competir e participou em todas as edições anteriores do Nelo Summer Challenge.
O que a Federação Portuguesa de Canoagem pretende fazer para promover a Ocean Racing [Canoagem de Mar] em Portugal?
A organização de eventos nesta disciplina com uma vertente competitiva, assim como uma vertente recreativa, tendo em conta que esta disciplina já tem um campeonato nacional no nosso calendário competitivo.
A implementação desta disciplina como uma especialidade da canoagem com um enorme potencial para a prática massiva, aproveitando o excelente clima e geografia do país.
Quantas provas existem no calendário nacional?
Neste momento o campeonato tem 5 provas mas pode ir até 10.
Qual a importância estratégica da Ocean Racing no panorama nacional da canoagem?
É uma grande oportunidade para a canoagem ganhar um novo público e novos atletas em lugares diferentes daqueles que são agora o seu núcleo. Pode permitir a prática da canoagem em locais e por populações que estão agora distantes da modalidade. As excelentes condições para a prática deste desporto a alto nível colocam Portugal no mapa internacional, e espero que essa realidade seja reforçada.

CARLOS "PERUCHO" RIAL E O SURFSKI

Artigo original do Surfski ESP
Jogos Olímpicos Pequim 2008 – Medalha de Ouro K2 – 500 metros (atrás)

Carlos “Perucho” Rial, canoísta espanhol da Galiza, venceu recentemente em Aldan uma etapa da liga de Kayak de Mar Galega. Campeão Olímpico em Pequim em K2 500 metros e com diversas medalhas em regatas internacionais. Um extenso e impressionante currículo na modalidade de velocidade. Respondeu-nos às seguintes perguntas.

Surfski ESP: Olá Carlos. És natural de Aldan, Galiza. O que sentiste ao vencer em casa?
Carlos Pérez: É sempre bom vencer em casa junto dos teus e para mais é a minha segunda competição e fiquei muito satisfeito.
S ESP: O que mais gostas no surfski? É muito diferente da pista?
C.P.: O ambiente que existe, as pessoas e os locais das competições e acima de tudo surfar as ondas. Há uma grande diferença, as ondas, não há pistas, os kayaks que usamos. É outro mundo.
S ESP: Em velocidade quais são os teus objectivos para 2013?
C.P.: O objectivo principal é o Campeonato do Mundo em Duisburg e pelo caminho há outros também importantes como o Campeonato da Europa e os Jogos do Mediterrâneo.
S ESP: Encaras a possibilidade de te dedicares ao surfski quando deixares de competir a nível internacional na velocidade?
C.P.: Gostaria muito e aos poucos vou tentando perceber a dinâmica por trás do surfski.
S ESP: Recentemente tens utilizado um surfski da MAZU. Em que modelos tiveste oportunidade de remar? E o que gostas mais no MAZU?
C.P.: Remei no NELO, ZEDTECH e agora no MAZU. O que mais gosto é que é estável e vou muito confortável com ele. O mais importante para mim é a estabilidade porque venho da pista e isso é essencial.
S ESP: E utilizas uma pagaia G-POWER. O que mais gostas nesse pagaia e qual a diferença em relação às outras?
C.P.: O que mais gosto é que se adapta bem à minha forma de remar. A minha técnica é. Digamos, de “arrasto” e a pagaia G-POWER ajuda-me a tirar partido na fase intermédia da remada. As outras pagaias que utilizei encaixavam bem ao princípio mas não tanto no intermédio.
S ESP: Em 2013 vai-se realizar a 1ª Liga Asturiana de surfski. O que achas dessa iniciativa? Vais participar em alguma etapa?
C.P.: Acho muito bem. É uma disciplina que se está a tornar muito popular e tudo o que seja promover a canoagem… é bem vindo. Gostaria de competir mas não creio que seja possível devido às minhas responsabilidades com a velocidade.
S ESP: A competição em “Downwind” está a tornar-se cada vez mais popular, achas que o “Downwind” chegará a modalidade Olímpica no futuro?
C.P.: Acho difícil mas oxalá que sim porque haveria mais disciplinas de canoagem.
S ESP: Obrigado pelo teu tempo e desejo-te felicidades para esta época.
C.P.: Obrigado por esta entrevista e cá estaremos para promover a canoagem.

MICHELE ERAY – CONVERSAS DE PRAIA

Original DAQUI
Idade: 33
Local: Entre Plett e o Mundo
Quando começaste no surfski?
Nos meus tempos de escola como parte do movimento de Surf Life Saving aqui na África do Sul. Ao passar de Junior para Senior tens de conseguir remar num surfski para poderes participar nas competições de Ironman. A canoagem também era um desporto escolar por isso praticava no inverno.
A tua época já começou? Dura até quando?
Iniciei um período de descanso depois dos 50 km do Cape Point Challenge em Dezembro e recomecei agora os treinos. Ainda sem competir, estou a criar uma boa base .
Venceste todos os Summer Challenge que participaste. Achas que é uma competição que te dá sorte?
Sorte? AH AH, acho que nós criamos a nossa “sorte” mas sim, o ambiente é importante e sempre me diverti muito quando vou ao Porto, por isso, estou sempre com boa disposição. Eu adoro o evento, o local e estou ansiosa por voltar a competir aí.
Como sul-africana e sendo a África do Sul um dos grandes centros de surfski, achas que a escolha de Portugal (e a NELO SUMMER CHALLENGE) foi uma boa escolha para receber o 1º Campeonato do Mundo?
Acho que Portugal é o local perfeito para o 1º Campeonato do Mundo de sempre! Tem excelentes condições para downwind, é de fácil acesso à maioria dos países e o evento tem uma ótima tradição e reputação organizativa, por isso, acho que vocês vão definir o nível organizativo para o resto do mundo, para os próximos Campeonatos do Mundo.

TREINO COM SEAN RICE

O Sean Rice partilhou algumas dicas e conselhos sobre treino no site North Coast Kayaks. Podem ler o artigo original e na íntegra AQUI.
10 Conselhos do Sean Rice para melhorar o treino de surfski:

1.       Se procuras subir o teu nível tens de fazer pelo menos 3 treinos por semana. Se quiseres sentir uma grande diferença na tua performance tens de fazer 3 a 4 treinos durante a semana mais um treino longo de 1 a 2 horas ao fim-se-semana. Se fizeres uns treinos de cardiovascular tais como corrida ou natação vais bater os teus melhores tempos. É sempre bom cumprir um plano de treino porque livra-te da preocupação de saberes se estás a fazer as coisas certas ou não.
2.       Quase todos os treinos que fazemos (exceto os treinos longos no mar) são feitos com séries. O descanso é importante entre as séries mas deves limitar o descanso a um máximo de 1 minuto nas séries curtas e a 2 minutos nas séries mais longas (por exemplo 2000 metros). Ser mais rápido ajuda-te a apanhar melhor as ondas que depois te fazem andar mais rápido.
3.       Aconselho que façam a maior parte dos treinos de séries em água lisa e a longa distância no mar. Nos treinos de séries tens de te focar apenas em velocidade e potência. É claro que temos de treinar nas condições que encontramos mas é sempre bom tentar fazer os treinos de séries nos dias com menos vento (ou nas horas de menos vento).
4.       Para treinos de mar, se eu puder escolher, faço sempre treinos em downwind. Precisamos de muito tempo e técnica para aperfeiçoar o nosso surf e até é divertido, por isso, tem lógica treinar o máximo possível! Por vezes também gosto de treinar em circuitos porque permite um pouco de tudo.
5.       Uma verdade: o melhor conselho para melhorar o nosso nível no mar é “passar horas no mar” (ha ha). Persistir nos treinos de mar aumenta a nosso “à vontade” e isso dá mais confiança à nossa forma de remar.
6.       No youtube encontras muitos vídeos sobre técnica. Vê alguns e pratica a técnica nos teus treinos durante o aquecimento ou a descompressão. Ninguém com um mínimo de senso de humor, gosta de ir para a água e fazer uma hora inteira de treino só de técnica, por isso eu tento compensar fazendo um pouco em cada treino.
7.       O treino de ginásio compensa. Demora um pouco mas com afinco dá resultado. Eu faço 3 treinos de força por semana. Ao princípio faz exercícios de força e procura conselhos sobre a melhor postura. É também uma ótima maneira de fugir ao mau tempo.
8.       A estabilidade influencia a tua confiança no surfski, que por sua vez afeta a tua velocidade. Estar estável é um dos pilares mais importantes, por isso, a escolha do surfski é muito importante. Eu gosto de explicar desta forma às pessoas: sim, um surfski de elite tipo o Think Uno Max pode ser super-rápido mas no surfski, se falhares uma remada isso vai fazer muita diferença. Basta uma remada falhada para perdermos uma onda que te pode custar 50-60 metros! Falhas umas quantas remadas durante a prova e de repente começa a fazer mais sentido passar para um barco mais estável para não sacrificares a tua velocidade média.
9.       Eu não tomo suplementos mas em treino e nas provas uso uma bebida hidrante normal. Em termos nutricionais são quase todas iguais mas algumas são muito fortes e nas provas longas podem atacar-te o estômago. Normalmente uso menos do que a dose recomendada para facilitar a absorção. Em provas mesmo muito longas como o CapePoint Challenge (50 km) eu normalmente levo alguns gel’s comigo. Dois ou três para a prova e um de reserva.
10.   Define objetivos! Objetivos realistas para saberes o que pretendes atingir com os teus treinos e nunca tenhas vergonha de pedir conselhos aos outros.
Se quiseres conselhos sobre programas de treino envia-me um email e eu ficaria muito satisfeito por te poder ajudar: sean@kayakscene.co.za

BILLY HARKER – CONVERSAS DE PRAIA

“Beach Talks” [Conversas de Praia] é um espaço onde vamos entrevistar alguns dos maiores protagonistas do Ocean Racing mundial. Começamos por Billy Harker, um grande entusiasta do surfski.
Nome: William “Billy” Harker
Idade: 43
Local: Durban, África do Sul
Experiência
Remei pela primeira vez num surfski em 1996 quando participei no circuito Bateman Borland Surfski em Durban. Foi em 1996 que se realizou pela 1ª vez esse circuito. Em 1997 fui trabalhar para a Cidade do Cabo e para me divertir participei em algumas regatas. Eu gosto de remar de surfski e das competições mas ao mesmo tempo adoro a parte social e o estilo de vida associado ao surfski.
Em 1998 criei o circuito de regatas na Cidade do Cabo (Surfski Paddling Series) que rivalizava com o circuito de Durban. Depois de organizar provas para me divertir durante 18 meses, despedi-me do meu trabalho e tentei viver dependendo apenas da organização de provas de surfski. Eu considero-me abençoado por poder converter a minha paixão e dedicação, por organizar provas de surfski, na minha ocupação a tempo inteiro durante os últimos 15 anos.
Que dure por muitos mais…
Em 2012 foi a tua primeira vez na Nelo Summer Challenge. Como foi para ti?
A Nelo Summer Challenge foi um evento fantástico. O mais importante é que em termos de downwind foi de topo mundial. Tudo o resto foi perfeito e é um bónus. O hotel Santana é fantástico, a comida é óptima, quartos impecáveis, com óptimo serviço e bem localizado. O que se distinguiu mais foi o apoio da equipa Nelo que nos foram buscar ao aeroporto, ajudaram-nos com os surfskis, iam-nos buscar no final das sessões de downwind e foram uns amigos excepcionais. No entanto a equipa Nelo precisa de alguma ajuda em relação aos passos de dança. Já vos disse que a “After-Party” (festa) foi LENDÁRIA? De topo!
Portugal foi uma boa escolha para o 1º Campeonato de Mundo de Surfski Ocean Racing?
Eu acredito que o Porto e Portugal foram uma boa escolha para o 1º Campeonato de Mundo de Surfski Ocean Racing pelos seguintes motivos:
1)      Tem um excelente potencial para um downwind em condições em mar aberto. O percurso é ideal porque começas na praia, protegido por um porto, o que significa que não tens ondas na entrada. Depois de remares algumas centenas de metros em zona protegida, entras em mar aberto e directamente nas ondas. As ondas são de topo porque a costa Ocidental de Portugal está exposta ao oceano e não precisa de muito vento para criar boas ondas. A chegada também é ideal porque passas à volta de uma muralha e terminas na praia sem precisares de passar pela rebentação.
2)      A Europa é uma zona central em termos de viagens.
3)      Acho que organizar o 1º Campeonato de Mundo de Surfski Ocean Racing na Europa vai ajudar a criar mais interesse pelo surfski no enorme mercado Europeu. O surfski sempre foi visto como uma alternativa “divertida” às “mais sérias” modalidades de velocidade e maratona. Com o estatuto de Campeonato do Mundo da ICF [Federação Internacional de Canoagem], o surfski vai ser levado mais a sério na Europa
Objectivos pessoais para a edição deste ano?
Como delegado da equipa Sul-Africana de Surfski, o meu objectivo é ajudar a equipa a vencer o maior número de medalhas no Campeonato do Mundo. A federação da África do Sul está a seleccionar equipas COMPLETAS em todas as categorias: júnior, Sub-23, Open e nas categorias veteranos a começar nos 35 anos e em grupos de 5 anos.
A nível pessoal gostaria de entrar no Top 5 na categoria 40-44 e ganhar ao Luís Ventura Varino, Pablo “Big Dong” Fernandes, Richard Philips e Anton Fouche e a TODAS as mulheres. Se eu vencer todas as “miúdas” quer dizer que fiz uma prova prova.
Por fim quero ensinar o Nuno Ramos a assar uma espetada decente na brasa.
Esperas vender muita roupa da tua linha?
A minha mulher Tracy faz os calções mais Funkiest Paddling que alguma vez viste. A vantagem é que são os mais confortáveis que tu alguma vez vais usar para remar. Vamos levar uma edição limitada especial para o Campeonato do Mundo e esperamos que os participantes gostem. Colocamos a questão: se usas uns calções de Lycra porque não usar os calções mais divertidos.

TIM JACOBS – DRAGON RUN RACE REPORT PORTUGUES

Tim Jacobs atleta da NELO SKI TEAM e vencedor da DRAGON RUN 2012 escreveu um excelente artigo sobre a sua prestação na prova. No original AQUI.
Como é que te motivas para competir? A ver o teu irmão tornar-se Campeão do Mundo de Ironman, a treinar um atleta para o ouro Olímpico ou a dares tudo o que tens em todos os treinos em que estás longe da família. A Dragon Run 2012 foi tudo isto e ainda o facto de eu ser o campeão em título. Hong Kong, adoro. É muito diferente das praias a Norte de Sydney, tem muita cultura, é suja e sabe bem. E em Novembro organizam sempre uma grande competição.
Treinei duro para a prova deste ano. Tive de compensar o tempo que estive fora porque passei 3 meses e meio com o Murray Stewart nos Jogos Olímpicos e nos estágios de preparação. Estipulei um programa de treino e cumpri-o. Já pratico este desporto há muito tempo e sei como treinar o corpo e a mente e como puxar bem por eles! Cumpres isso e tudo o resto é fácil ou, na pior das hipóteses, consegues gerir o esforço.
Ondas pequenas, pouco vento, muito calor e muita competição foram os obstáculos que, este ano, tiveram de ser ultrapassados em Hong Kong.
Esta foi a minha primeira prova internacional desde o “The Doctor” de Janeiro que venci. Diz o ditado que “és tão bom como a tua última corrida!” mas no meu caso foi há muito tempo atrás.
Cheguei a Hong Kong na 5ª feira ao final da tarde para o que seria uma curta estadia de duas noites. Estava concentrado no que tinha para alcançar e uma estadia curta não me preocupou. São apenas 3 horas de diferença de casa, o mesmo ski NELO do ano passado, uma pagaia BRACSA com apenas uma semana, a mesma hidratação ELOAD. Sem preocupações!
As previsões para a prova não eram favoráveis para muita gente. Ia estar mais quente e mais calmo que no ano passado. Nada que eu não tenha treinado e competido antes. Estar preparado para todas as condições. Competimos no maior espaço aberto do planeta, estamos no exterior e no oceano. Como controlas qualquer um deles? Não consegues! Deves estar preparado para tudo.
Vi uma série de condições desfavoráveis e usei-as em meu benefício, sabendo que alguns adversários estavam aborrecidos por ter de competir assim. Uso isso como motivação para puxar um pouco mais.
Não tivemos grandes condições de downwind nem um dia ameno mas quando temos? O dia estava perfeito na mesma para competir e foi isso que fizemos.
Aqui queria estar na frente. Nas ondas do grupo da frente.    
Cory Hill venceu o hot-spot nos Nine Pins com alguma diferença para o resto do grupo da frente. Cheguei a Nine Pins em 6º e saí em 3º puxando em cada onda que conseguia encontrar. O próximo ponto de referência do percurso eram as Kissing Whales e não estava visível e fui “às cegas” durante alguns quilómetros porque não programei as coordenadas no meu Garmin. Fui com o Dawid [Mocke] enquanto ele perseguia o Cory [Hill] até ter o meu campo de visão. Assim que vi as Kissing Whales ajustei a minha trajectória e ganhei alguma vantagem que consegui aguentar. Não era uma grande vantagem porque a temperatura ainda estava a aquecer e faltava muito para o final. Com as condições que estavam foi fundamental manter-me bem hidratado para conseguir uma boa prestação. Tudo parecia fácil e eu tinha o controlo da prova sem ninguém por perto. Dei tudo, concentrei-me em fazer tudo bem feito porque os erros fazem-te perder a prova. Estar concentrado ajudou-me a descontrair e a não me preocupar com os adversários. È como levar umas palas nos olhos. É fácil quando vais sozinho na frente mas difícil quando vais taco-a-taco ou apenas a tentar manter a tua classificação.
A caminho da chegada.
A única vez que olhei à minha volta foi na viragem nas Kissing Whales a caminho da baía Stanley quando faltavam 5 km. Tinha uma vantagem de 400 metros. Quase que comecei a festejar ali. Mas não o fiz. Com 5 km para o fim ainda muita coisa pode acontecer, um problema com o leme, “rebentar” como se costuma dizer ou algum adversário vir de trás “a abrir”.
São 5 km longos e difíceis desde a viragem para a baía até à chegada na Stanley Sea Scholl. Eu mantive tudo, cadência, respiração e hidratação. Não queria desperdiçar a oportunidade de revalidar o meu título. Parece mesmo que estás a ser caçado porque toda a gente vem atrás de ti e está flat e é uma linha recta até à meta. Se mostrares algum sinal de fraqueza nos últimos 5 km os perseguidores vêm isso e ganham motivação. Por muito que me estivesse a custar eu não iria demonstrar isso. A possibilidade de voltar a vencer deu-me ânimo.  
Voltei a vencer. Matei o Dragão.
Os dados da corrida do meu Garmin. http://connect.garmin.com/activity/245046738
Matei o Dragão! Venci a Dragon Run dois anos consecutivos. O Grant Van Der Valt fez uma ponta final muito forte e terminou em 2º à frente do Hank McGregor e do Cory Hill que pelo segundo ano terminaram em 3º e 4º lugar, respectivamente.
Sim, estava calor e pouco vento e ondas mas esse era o dia da prova e estava um dia perfeito para competir nessas condições.
Para ver o vídeo da prova do Rambo sigam este link. http://vimeo.com/54179549

PASSAR A ZONA DE REBENTAÇÃO

Artigo com as melhores dicas e opiniões dos profissionais, sobre como devemos passar a rebentação sem problemas. Artigo completo em inglês AQUI em SURFSKI.INFO.
[Todos os atletas de topo concordam nestes pontos: ter muita calma; não entrar logo na zona de impacto; observar as sequências de ondas; aproveitar uma abertura entre ondas; a zona de impacto tem poucos metros de largura; quando decidimos avançar atacamos as ondas sem hesitar; manter a pagaia por cima da espuma das ondas; e só paramos depois de passar a zona de impacto.

Zona de Rebentação: é uma faixa muito estreita onde as ondas têm mais energia e quebram. Fica entre a área em que a crista da onda começa a criar espuma até a zona de espuma depois da onda quebrar.

Zona de Impacto:é o local exato onde a onda quebra e fica dentro da zona de rebentação. É o que temos sempre de evitar e é a zona mais perigosa. 
O melhor mesmo é ler o que cada um tem para nos dizer e aprender com os mais experientes. Especial atenção ao que diz o MARK LEWIN no final.]
A passar a rebentação. Será esta a forma correcta?
PASSAR A ZONA REBENTAÇÃO
Esta sequência foi tirada na praia de Amanzimtoti, Durban, África do Sul. Apesar da rebentação ser relativamente pequena, podia castigar os mais desatentos e o dia terminou com vários surfskis partidos.
Fotos de Anthony Grote – mais fotos em www.anthonygrote.com
Esta é uma sequência interessante porque ilustra vários dos pontos importantes sobre como passar a rebentação.
A forma correcta de fazer.
O canoísta em primeiro plano é o muito experiente Mark Lewin. Ele estava antes da zona de impacto [onde a onda quebra] e viu a próxima onda a aproximar-se. Em vez que ir contra a onda, colocou as pernas para fora para travar o surfski. Está à espera que a onda quebre e depois avança pela espuma, passa por cima dela e segue caminho.
A forma errada de fazer.
O canoísta mais à frente foi contra a onda. A técnica para enfrentar a onda está correcta – reparem que ele inclina-se para a frente e coloca a pagaia de lado, mas…
Em primeiro lugar não deveria ter-se colocado naquela situação. Se tivesse esperado, tinha deixado a onda quebrar à sua frente e depois passava por cima da espuma. Aconteceu que… ele atravessa a onda sem se virar mas é puxado para trás e perde muito terreno.
Ele deve ter sido puxado para trás para aí uns 100 metros!” Disse Mark Lewin. “E eu passei por ele na boa.”


Neste caso o canoísta não alinhou a pagaia com a onda e levou com toda a energia da onda. Também é puxado para trás.

Fotos de Anthony Grote – mais fotos em www.anthonygrote.com

O que têm para dizer os profissionais sobre como passar a rebentação? Perguntámos a uma selecção de canoístas experientes, homens e mulheres, e isto é o que eles têm para nos dizer:
MATT BOUMAN
Qual é a melhor forma de passar a rebentação? O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
Não compliquem as coisas. Decidam bem. A zona de impacto [onde podes levar com a onda] provavelmente só tem 10 metros de comprimento. Antes ou depois desta zona pode intimidar mas apenas isso porque não te vai fazer mal. Não abrandes a não ser que seja óbvio que vais ser apanhado no sítio errado e à hora errada. Se achares que tens 50/50 de possibilidade… avança. É sempre mais fácil passar a rebentação em velocidade. Uma coisa que nunca vais querer é estar parado na zona de impacto.
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BARRY LEWIN
Não tenhas receio, se hesitares não tens hipóteses, planeia bem, ataca sempre a onda, a velocidade é fundamental, faz diagonais se necessário (se soprar vento).
Nós passamos a rebentação todos os dias. Eu vivo em Umhlanga e treino em frente à minha casa, por isso tenho muita prática. Quanto mais praticares a saída nas ondas mais confiança terás e isso é o mais importante. A minha vantagem é que eu não tenho medo de passar a rebentação.
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OSCAR CHALUPSKY
Qual é a melhor forma de passar a rebentação? O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
A pergunta pode ter várias respostas porque podemos passar a onda nas suas diversas fases. Se tivermos pouca espuma a melhor forma é inclinarmo-nos um pouco para trás antes da espuma atingir a frente do barco para levantar um pouco a proa. Mantém a pagaia por cima da espuma e coloca a pá na água por trás dessa espuma.
Se a espuma da onda estiver acima da tua cabeça tens de fazer o que se faz quando damos de frente com um grande onda que é: colocar a pagaia de lado e perpendicular ao surfski e baixarmo-nos para a frente mantendo a cabeça em baixo.
NUNCA mantenhas a pagaia em frente à tua cara porque uma coisa é certa; ou a pagaia te vai bater na cabeça ou partes o tubo ou a cabeça.
Assim que passares a onda tens de colocar uma pá na água o mais rápido possível para evitar seres puxado para trás com a onda.
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DAWID MOCKE
Qual é a melhor forma de passar a rebentação?
Tens de atacar as ondas e não podes hesitar quando decides passar a rebentação.
O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
Tens de saber onde é a zona de impacto e planear a tua saída para um momento de acalmia entre ondas. Lembra-te que geralmente a zona de impacto é uma área que se atravessa em apenas 20 a 30 pagaiadas.
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MICHELE ERAY
Qual é a melhor forma de passar a rebentação?
A melhor forma é ter paciência. Se tiveres tempo observa as ondas a quebrar, tenta descobrir a sequência de ondas, procura uma corrente de revés ou algo que te ajude a passar mais facilmente. Depois escolhe o momento de acordo com o que observaste. Tem paciência e não te preocupes se for preciso esperar um pouco na zona antes da rebentação passando pequenas espumas.
O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
A melhor dica para teres sempre em mente é que tens de estar sempre a pagaiar. Se parares vais ser arrastado para trás, por isso, rema com força contra a onda e continua até passares a zona de impacto.
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JEREMY COTTER
Qual é a melhor forma de passar a rebentação? O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
A melhor forma de passar a rebentação, especialmente nos surfskis mais compridos, é ter calma e ter a noção das ondas que vêm mais atrás e não estarmos focados apenas na que está a quebrar à nossa frente porque senão pode acontecer que a onda que te quebra em cima é uma que tu nunca viste.
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HANK MCGREGOR
Qual é a melhor forma de passar a rebentação? O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
A melhor forma de passar é rebentação é ter calma e observar a zona de rebentação antes de nos fazermos a ela. Se soprar vento, usa-o a teu favor, indo na mesma direcção do vento para ter alguma ajuda. Procura uma aberta ou corrente e usa-a. Tudo isto te pode ajudar se precisares.
Quando estás a passar a espuma ou ondas a quebrar passa sempre a pagaia por cima e tenta puxar-te para lá da onda. – é nesta fase, antes do impacto, que a maioria dos canoístas tenta fazer um apoio em vez de continuar a remar. Acho que o truque é estar 100 por cento focado e nunca hesitar quando estamos na zona de impacto.
Tenta olhar para além da onda à tua frente e ver como está a onda por trás para saberes que direcção tomar. Aumenta a cadência de remada em vez de tentares remar com mais força porque nesta fase tens muita resistência [a energia das ondas] contra ti.
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MARK LEWIN
Qual é a melhor forma de passar a rebentação? O que é fundamental fazer ou ter em atenção?
O erro mais comum que eu vejo o pessoal fazer é avançar demasiado na zona de rebentação ou tentar passar por cima da espuma das ondas que quebraram, muito em cima da zona de impacto.
O que acontece é que eles geralmente estão a ser puxados para trás ou para os lados pela energia da onda que os atingiu e perdem a oportunidade de apanhar uma aberta entre ondas sem serem apanhados na zona de impacto. Se aguardarmos mais atrás da zona de impacto conseguimos observar, ter sempre controlo sob o nosso surfski e estamos sempre a andar para a frente. Quando há uma aberta entre ondas, facilmente conseguimos acelerar o nosso surfski.
Na largada de uma competição com muita gente, o dilema de um atleta experiente é que ao esperar afastado da zona de rebentação, é ultrapassado pelos “aventureiros” que se fazem logo às ondas. Muitos deles vão ser empurrados para trás e até saltam dos surfskis e quando há uma abertura entre ondas fica com uma série de atletas à sua frente a tentar corrigir a trajectória ou a voltar a subir para o surfski e não consegue aproveitar essa oportunidade.
Eu prefiro abdicar da trajectória mais curta a favor de mais espaço para ter a certeza que fico com uma área livre à minha frente.
Outro erro comum que vejo e que provoca estragos em muitos surfskis é que quando os atletas são apanhados na zona de rebentação, especialmente em zonas de baixa profundidade, tentam sempre manter-se sentados. Com o peso do atleta no meio de um surfski com 6,80 metros que pesa menos de 20 kg, mais a energia da onda a quebrar no barco, é mais que provável que o surfski seja puxado para trás a vá bater no fundo ou noutros surfskis que vêm de trás. E isto resulta sempre em surfskis partidos! É muito melhor sair do surfski antes da onda quebrar, virar o casco para cima e agarrar o footstrap com uma mão. Afastar a mão que está a agarrar a pagaia, mergulhar e empurrar o surfski na direcção da onda. Com o nosso corpo debaixo do barco a energia da onda dissipa-se por cima do surfski. Não és muito puxado para trás e é menos provável que percas ou estragues o teu surfski.

ANGIE MOUDEN LÍDER DO CIRCUITO MUNDIAL

Artigo original Globalsurfski
A jovem talento francesa (21 anos) chegou ao primeiro lugar do ranking mundial feminino da Oceanpaddler World Series depois da BREIZH OCEAN RACE em França no mês passado. Também está no 9º lugar da geral (masculino e feminino) o que é impressionante. A Angie nasceu e cresceu em Brest na Bretanha. Tem feito muitas provas este ano e participou em 6 regatas da Oceanpaddler Worlds Series. A próxima é a Steelcase Dragon Run em Hong Kong. A Angie foi muito simpática e aceitou responder a algumas perguntas, durante a sua preparação para a regata.
Angie a treinar em Villajoyosa – Eurochallenge 2012
PARABÉNS PELO PRIMEIRO LUGAR NO RANKING MUNDIAL. COMO TE SENTES?
Muito obrigado! É um pouco estranho porque eu não queria estar nesta posição. O que realmente queria era competir contra as melhores mulheres, como por exemplo Ruth Highman (AUS), Alexa Cole (RSA), Michele Eray (RSA), Jenna Hawkey (GBR) e Chloé Bunnet (GBR). A maior parte delas são mais fortes do que eu mas estou orgulhosa por poder competir com elas. Ser a número 1 do ranking não significa muito porque para mim é mais importante, competir contra elas.
HÁ QUANTO TEMPO PRATICAS CANOAGEM?
Comecei há cerca de 6-7 anos. Tenho remado sempre no mar. Brest é uma cidade costeira. No princípio praticava principalmente kayak de mar e águas bravas e não o surfski porque não tínhamos muito surfskis quando eu comecei a remar. Tenho o meu surfski desde 2009. Em França, quando somos crianças, temos de praticar pelo menos duas disciplinas mas era muito difícil manter-me nas águas bravas mesmo adorando essa disciplina. Os rios ficam muito longe da minha casa. Estou a planear competir em algumas provas de velocidade depois do Campeonato do Mundo em Julho do próximo ano [Portugal] porque também tenho muito que aprender com essa disciplina!
O QUE TREINAS? COMO É UMA SEMANA NORMAL DE TREINO PARA TI?
Vou para a água, quase todos os dias. Adoro remar mesmo no frio do Inverno aqui. Ainda tenho muito para aprender sobre treino e sinto que posso desenvolver muito as minhas capacidades (É por isso que vou para a África do Sul em Dezembro. Para correr e treinar com os melhores!). Numa semana normal treino bastante mas tenho sempre pelo menos 1 dia descanso e não faço múltiplas sessões ao dia. Estou na água a maior parte do tempo mas também faço treino cardiovascular. Aos fins-de-semana tento competir porque acho que é o melhor treino para mim.
                                                  Angie na Breizh Ocean Race 2012
O QUE FAZES DE TREINO CARDIOVASCULAR?
Como cardiovascular faço alguma corrida. Também ando muito de bicicleta e de momento tenho o meu carro avariado por isso vou para todo o lado de bicicleta e adoro isso. Não é bem treino mas acho que ajuda. Nado muito (adoro água) e costumava fazer algum treino de ginásio durante o Inverno. Este ano ainda não comecei e não sei se o farei este Inverno ou talvez faça só body workout [sem pesos].
QUAL O MELHOR CONSELHO QUE PODES DAR A ALGUÉM QUE QUER SER MAIS RÁPIDO?
Que se divirtam quando treinam! Brinquem nas ondas o máximo possível e quando está flat pensem que vos vai ajudar a melhorar. Treinem tanto quanto gostam deste desporto.
TENS COMPETIDO E VIAJADO MUITO. QUAIS OS MELHORES LOCAIS PARA REMAR?
Definitivamente a África do Sul mas também a Austrália. Há tantas pessoas para treinar connosco! É isso que eu procuro! Em França existem bastantes atletas de surfski mas estão espalhados pelo país e por isso treinamos a maior parte do tempo sozinhos. Eu tenho sorte pouco pertenço a um grande clube, por isso, a maior parte das vezes tenho companhia para treinar, mesmo treinando bastante sozinha. Acho que seria ótimo se tivéssemos tantos canoístas aqui como nesses países [RSA e AUS]! Também acho que a Bretanha (locais como Portsall, Quiberon, Landeda & Etel) é um dos melhores locais para treinar (não pelo frio…). Na Bretanha há muitas ondas, tempestades, locais muito técnicos, swell e ondas de vento. Tenho aprendido muito aqui por isso acho que é um ótimo local mas ainda não temos tantos praticantes como os outros países.
NA MAIOR DAS REGATAS HÁ POUCAS MULHERES. PORQUE ACHAS QUE SÃO TÃO POUCAS? COMO PODEMOS AUMENTAR O NÚMERO DE ATLETAS FEMININAS?
Não sei porque somos tão poucas! Adoraria encontrar todas as mulheres numa só regata! É um sonho que eu tenho. Eu sou estudante e por isso tenho tempo disponível e consigo planear o meu tempo livre para me dedicar à minha paixão. Talvez as outras tenham outras coisas para fazer ou outras responsabilidades que eu não tenho?
Tenho-me perguntado muitas vezes o que podemos fazer para aumentar o interesse das mulheres mas não tenho uma resposta. Quando regresso de uma regata a primeira coisa que penso é em voltar a competir porque eu adoro isto! E adoro especialmente as regatas em downwind porque as provas técnicas são as melhores para as mulheres. Nunca serei tão forte como um homem mas tenho uma técnica muito boa nas ondas, por isso tento ganhar-lhes em condições muito técnicas. Regatas contra o vento são muito duras para mim e não são muito divertidas. Mas isso faz parte do surfski! Por isso quando tempos downwind e ondas, fico muito feliz. Talvez as mulheres precisem de se sentir felizes… Não sei!
QUEM É A TUA MAIOR RIVAL?
Como eu disse no início existem várias atletas de topo e eu tenho um profundo respeito por elas e não quero dizer que são minhas rivais. Eu adoro competir contra elas. E se eu puder, competir e aprender com elas em simultâneo… Que mais posso pedir?!
COMPETISTE EM 6 REGATAS ATÉ AGORA E VAIS COMPETIR EM HONG KONG NA PRÓXIMA SEMANA. TENS PLANEADAS MAIS REGATAS PARA ESTE INVERNO?

Sim, vou estar na Cidade do Cabo em Dezembro! É um sonho tornado realidade! Vou lá ficar pelo menos 4 meses e vou ver que regatas têm por lá. Treinar por lá e conhecer pessoas vai ser fantástico. Eu adoro isso.
MUITO OBRIGADO ANGIE PELA DISPONIBILIDADE! BOA SORTE E BOA PROVA EM HONG KONG!

TREINAR COM OS PROFISSIONAIS: Entrevista Sean Rice, Dawid Mocke & Michele Eray


Conversa sobre treino com Sean Rice, Dawid Mocke & Michele Eray.
Entrevista de Chris Laughlin, photo de Viviane Nishikiori
Original AQUI.
Treinar com os profissionais
Quanto tempo o treino ocupa na vossa rotina diária? Treinam várias vezes ao dia? Todo o dia é cuidadosamente planeado e estruturado ou vão adaptando de dia para dia?
Sean: Ocupa todo o tempo livre que me resta. Antes de uma competição faço 2-3 sessões por dia. Não é fácil tentar encaixar 3 ou mais horas de treino depois de um dia na Universidade. Todos os treinos são cuidadosamente planeados com antecedência. Basicamente vou para a água ou para o ginásio e TREINO. Não preciso de pensar – só TREINAR. Torna a minha vida mais fácil e não deixa a preguiça apoderar-se de mim.
Dawid: Muito tempo a treinar! Eu treino geralmente duas vezes por dia, entre 2-5 horas por dia, dependendo da altura da época em que estamos e das competições que se aproximam.
Michele: A maior parte do meu treino é planeado e estruturado. Passo bastante tempo a planear o ano, tendo em conta as competições e planeio as fases do treino de acordo com esse calendário. Normalmente treino duas vezes por dia. Costumava treinar mais quando era atleta a tempo inteiro para os Olímpicos [Pequim 2008] mas agora não tenho tempo. Apesar de todas as sessões serem estruturadas, de o objetivo geral ser muito bem planeado, existe alguma margem de manobra, dependendo das condições do tempo e de como me estou a sentir. Por vezes o mais importante é passarmos um bom momento.
Atualmente, ou alguma vez, treinaram com um treinador? Se sim, que impacto teve nas vossas carreiras e recomendariam a outros canoístas?
Sean: Nos últimos 6 anos fui treinado por Peter Cole da ORKA TRAINING. Ter um treinador ou só alguém em quem possas confiar no dia-a-dia é o segredo para o sucesso. A não ser que sejas o super-homem, treinar sozinho não tem piada! Ele tem sido muito importante nos meus resultados!
Dawid: Sim, atualmente tenho e penso que um treinador é muito importante para melhorar e ter sucesso. Recomendaria a todos os níveis a outros canoístas.
Michele: Para os Olímpicos tive um treinador mas desde daí (Agosto de 2008) treino-me a mim própria. A técnica é muito importante e um bom treinador pode ajudar-te nisso. Também é importante termos, por vezes, uma segunda opinião!
Que percentagem do vosso treino é na água, no surfski ou kayak? Que tipo de treino cardiovascular, ou outros desportos praticam?
Sean: Maioritariamente 70% na água e 30% fora de água. Faço a maior parte dos meus treinos no surfski contra as equipas de velocidade e maratona de kayak. Complemento os treinos de água com corrida e algum ginásio. Eu gosto de correr porque tenho tendência para ganhar peso e a corrida é a forma mais fácil para não engordar. Também tento convencer-me que surfar também ajuda o meu cardiovascular (ha ha).
Dawid: Pelo menos 60-70% do meu treino é a pagaiar. Faço também alguma corrida e depois uma pequena quantidade de exercícios no ginásio. Na pré-época faço também treino de ginásio.
Michele: Alterno entre o kayak e o surfski, dependendo da fase da época. Eu compito muito em kayaks e nessa altura passo mais tempo no kayak e depois, perto das grandes competições de surfski, passo mais tempo no mar em sessões de downwind. De uma forma geral a maior parte do treino estruturado é no kayak. Faço corrida, natação e surf como treino cardiovascular.
Como estruturam os treinos de água durante a semana – quanto fazem de distância vs velocidade? Downwind vs água lisa? Técnica vs séries?  
Sean: A maior parte das provas de surfski que faço são de 1:30 – 2h, por isso as sessões de treino são semelhantes ao que o pessoal da maratona faz. 2min, 4min e 2000m de séries com 1x10km em conta-relógio e uma sessão de 20-30km por semana. Eu vou 3 vezes por semana para o mar, o resto treino com a equipa de velocidade/maratona.
Dawid: Depende da fase da época em que estou mas, basicamente: 2ª feira: corrida matina, água de tarde (endurance). 3ª feira: água de manha (séries longas), água de tarde (séries curtas/Downwind/conta-relógio). 4ª feira – corrida matinal com séries ou subidas, água de tarde (séries intermédias). 5ª feira – água de manha (endurance), de tarde água (séries curtas). 6ª feira – de manhã longa distância, descanso de tarde. Sábado de manhã um treino curto de água, de tarde downwindou descanso. Domingo de descanso.
Michele: Todas as minhas sessões são baseadas em intensidade. Acredito na qualidade acima da quantidade. Quando há vento tento fazer downwind. Importante: a técnica é tudo!
Quanto do vosso treino é feito em grupo versus pagaiar sozinho? Há alturas em que é mais vantajoso do que outras?
Sean: Tento fazer todos os treinos em grupo. Quando não tenho grupo, corro contra o meu Garmin (GPS). Tenho muita sorte por ter um grupo fantástico para treinar comigo a maior parte do tempo. Treinar com canoístas mais fortes e mais rápidos é sempre mais vantajoso que treinar sozinho.
Dawid: Eu prefiro treinar com outras pessoas porque é mais difícil faltar a um treino – tens pessoas à tua espera. E também podes avaliar a tua condição física quando vais em grupo.
Michele: Faço muito treino sozinha, cerca de 50%. Normalmente vou sozinha quando faço treino de técnica. O mesmo para os treinos de baixa intensidade. Séries duras e treino de velocidade tento sempre ir com pessoas mais rápidas do que eu.
O quão importante é o descanso para os vossos objetivos? Planeiam tempos de descanso durante a semana ou vão por aquilo que vão sentindo?
Sean: Eu tenho um dia de descanso por semana. Claro que vou avaliando como me estou a sentir e se necessário descanso uma tarde ou faço um treino mais leve. Há uma linha muito ténue entre treinar o suficiente e demasiado.  
Dawid: Há um equilíbrio delicado entre a fadiga e a boa forma. Eu faço essa gestão estruturando bem os descansos e também avaliando como me sinto.
Michele: O descanso é essencial porque é quando ganhas forma. Eu estruturo sessões de descanso durante a semana e também avalio como me vou sentido.
Qual é o vosso treino de séries favorito?
Sean: 10x4min. É o treino que eu adoro detestar! Este tipo de treino rebenta até o canoísta mais forte, quando é feito como deve de ser.
Dawid: As minhas séries preferidas: 10 x 2min, 10 x 1min.
Michele: Uma vez por semana, em grandes grupos, fazemos uns treinos de séries à volta de uns rochedos aqui em Plett [Plettenberg Bay, Western Cape, África do Sul]. Eu adoro porque se transforma numa grande corrida. Os rapazes fazem-no como se fosse um campeonato do mundo e há vários tipos de perigos ao tentar cortar os rochedos para chegar à frente. E no regresso também conseguimos apanhar pequenas ondas ou se tiveres sorte apanhar uma grande onda no recife.
Qual é o teu percurso favorito para treino de downwind?
Sean: Bom, eu diria que a Millers Run é um meu treino favorito de downwind. É praticamente à porta da minha casa e por isso é muito conveniente fazê-lo sempre que há vento. E porque são apenas 12km e faz-se em 40-43min é muito fácil de fazer depois de um dia de Universidade!
Dawid: Millers run, Reverse Buffels run.
Michele: Knysna para Sedgefield. 30km’s de puro prazer.
Manténs a mesma intensidade durante todo o ano ou baixas um pouco em algumas fases do ano?
Sean: Todos os anos eu faço descanso total pelo menos 4-6 semanas durante o Natal e a maior parte de Janeiro para passar tempo de qualidade com a minha namorada, a família e surfar. Participar no Circuito Internacional de Surfski implica uma longa época de Abril a Dezembro com pouco tempo para descansar. Descansar esse tempo faz maravilhas ao corpo e mente.
Dawid: Definitivamente há momentos em que treino menos. Normalmente depois das grandes competições e uma pequena fase de descanso total logo após o Natal.
Michele: Eu compito o ano inteiro mas cada evento é diferente, desde surfski a maratonas ou descidas em kayak. Por isso depende da época do ano. Eu vou treinando mas alterando o tipo de treino de acordo com as próximas competições.
Qual a importância que a nutrição & hidratação tem no vosso regime de treino?
Sean: Bom, eu como MUITO! Adoro comer! É o que eu faço melhor (ha ha)… mas obviamente que como responsavelmente também. Sempre que posso evito a comida de plástico mas não me acanho em abocanhar um bom hambúrguer. Não sou um fanático da saúde mas tenho sempre em mente que aquilo que eu como é o que aparece por fora.
Dawid: Uma nutrição eficaz durante e após o treino é crucial para recuperar e estar apto para a próxima sessão de treino. Se a tua nutrição for pobre vai diminuir a tua performance. É importante fazer disso um aspeto importante do teu plano de treino.
Michele: É massivo. São as pequenas percentagens que resultam na vitória ou derrota. O descanso após treino é importante porque permite recuperar para treinar forte no dia seguinte e a nutrição tem um papel muito importante na recuperação.
Qual o melhor conselho que podem dar a canoístas que procuram ser mais rápidos?
Sean: Os seres humanos sentem-se recompensados quando atingem os objetivos que estabelecem. Se não definires objetivos nunca alcançarás o sucesso. Aprende a gostar de competir. Corre contra do Garmin, contra o colega de treino e o ferry local – corre até contra o pôr-do-sol. Torna o treino agradável saindo de todas as sessões de treino com algum resultado, bom ou mau. Se estiveres em águas lisas estabelece percursos de 500m, 1000m e 10km. Cronometra essas distâncias continuamente. Estabelece os objetivos de tempo e treina.
Dawid: Pagaia mais do que achas que deves. Treina com um colega. Compete o máximo que puderes.
Michele: Tenta treinar com intensidade sensatamente. Assegura-te que fazes uma sessão de intensidade média, uma baixa e claro, uma de alta intensidade. Não tenhas medo de dar o máximo na sessão de alta intensidade mas faz a de baixa intensidade em baixa.