Arquivo da categoria: Downwind

DOWNWIND – NÍVEL INTERMEDIO

Agora que já sabes surfar as ondas e os movimentos básicos do nível INICIAÇÃO, vamos subir o nível e aprender algumas técnicas para aumentar a velocidade do surfski e aumentar o número de ondas que podemos surfar de seguida.
Objetivos no nível INTERMEDIO:
  1. POSICIONAR O SURFSKI NO TOPO DA ONDA (CRISTA)
  2. CRUZAR A ONDA
  3. LIGAÇÃO ENTRE ONDAS
ESTAR NO TOPO DA ONDA
É no topo da onda que há mais energia e é a partir do topo da onda que vais conseguir sair com mais velocidade para a onda seguinte. 
Tal como os surfistas nas ondas de rebentação, nós [de surfski] também não podemos remar a direito pela onda abaixo. Os surfistas nas ondas de rebentação, se descerem a onda toda vão ficar sem onda para surfar e perder velocidade. No nosso caso, nas ondas criadas pelos ventos, a frente do surfski vai afundar na onda da frente e perder velocidade, conforme foi explicado no nível INICIAÇÃO.
O que os surfistas fazem para se manterem no topo da onda e ganharem velocidade é cruzar a onda. No surfski vamos ter de fazer o mesmo para nos mantermos no topo [e aumentar a velocidade].
É muito importante aprenderes a posicionar o surfski no topo da onda porque é a partir daqui que tudo se desenrola no downwind. Como disse o Chalupsky AQUI:
[Se não consegues colocar-te no melhor ponto da onda, perdes todo o alicerce do que é surfar a favor do vento e só vais surfar as ondas que pegam o teu surfski e não vais controlar o teu surfski nas ondas que realmente queres surfar.]
Colocarmos o surfski no topo da onda é assim um dos truques essenciais para surfar as ondas. Posicionar o SURFSKI NO TOPO DA ONDA e CRUZAR A ONDA complementam-se porque é a partir do topo da onda que vamos cruzar para ganhar velocidade e só cruzando as ondas é que conseguimos manter-nos no topo da onda.
CRUZAR A ONDA
Para evitar meter o surfski numa cava de onda temos de virar ligeiramente para um dos lados da onda, mantendo o surfski no topo e aumentando progressivamente a velocidade.
Quando a velocidade do surfski aumenta vamos ter também mais controlo na direção porque há mais água a passar no leme e é nesta fase em que vamos mais depressa e com mais controlo que temos de tentar “perceber o mar” para passar para a onda seguinte. Como se percebe CRUZAR A ONDA e a LIGAÇÃO ENTRE ONDAS também se complementam porque é com mais velocidade e direção, que ganhámos ao cruzar a onda, que vamos conseguir passar para a onda seguinte.
[Nesta fase é muito importante perceber o padrão das ondas ou como se costuma dizer “perceber o mar”. Conforme falado AQUI as ondas com diversos comprimentos e alturas misturam-se o que quer dizer que, quando vamos a surfar, temos sempre ondas maiores ou menores para surfar e podemos escolher quais as melhores.
Quanto mais experiência vamos adquirindo mais fácil vai ser perceber o padrão das ondas e “perceber o mar”. Ao princípio parece um emaranhado de cristas, cavas e vento mas com o tempo começamos a “pressentir” qual o comportamento do mar e onde se vai formar uma onda maior que nos pode levar para mais longe e mais depressa. Uma dica importante: quanto mais depressa vamos, mais fácil é perceber o padrão porque viajamos quase à mesma velocidade das ondas.]
LIGAÇÃO ENTRE ONDAS
Conseguir passar de uma onda para outra mais à frente é o grande objetivo do downwind. Só assim conseguimos ir mais rápido que as ondas.
Quando vamos no topo da onda temos de ir sempre a observar o que se passa à frente do nosso surfski [2 a 3 metros] num ângulo de 45º para cada lado do barco [o quadrante de 90º].
Ao olharmos a 45º vamos ver várias cavas e várias cristas. As cavas vão parecer uns buracos entre as ondas e é para esses buracos que temos de apontar o nosso surfski aproveitando a velocidade que ganhámos ao surfar na crista da onda anterior.
Na fase de passagem de uma onda para a outra vais ter de remar com força para encaixar na onda seguinte. Deixamos o surfski descer um pouco mais a direito para aumentar ainda mais a velocidade e depois cruzamos na direcção da próxima onda.
Assim que sentes o surfski a encaixar na onda seguinte deixas de aplicar força e começas logo a cruzar essa onda e a observar no quadrante de 90º para ver a próxima onda que podes ligar.
Com a prática começas a conseguir “perceber melhor o mar” e a antecipar onde se vai formar uma boa cava para meteres o teu surfski. Começas também a saber “trabalhar” o leme automaticamente colocando o teu surfski na melhor posição para ganhar velocidade ou apenas aguentar a posição enquanto observamos a nossa próxima onda.
É tudo uma questão de treino e muitas horas passadas nas ondas e depois toda esta teoria começa na prática a sair-te sem esforço.
O grande objetivo é conseguir passar de onda em onda sem que o surfski perca velocidade evitando estar sempre a parar e arrancar. Quanto mais ondas conseguirem ligar sem perder velocidade, maior será a vossa velocidade média e mais rápido é o vosso downwind.
No nível INICIAÇÃO aprendemos a repetir o ciclo de DESCANSO – SPRINT –DESCANSO – SPRINT.
Continuamos a aplicar o mesmo ciclo sendo que o descanso é feito a cruzar a onda e o sprint é quando passamos para a onda seguinte.
REPETIR O CICLO: CRUZAR – PASSAR PARA OUTRA ONDA – CRUZAR – PASSAR PARA OUTRA ONDA
Deves treinar para conseguir repetir este ciclo, descansando quando estás a cruzar a onda e remando com força apenas quando queres passar para outra onda.
Assim que conseguires dominar esta técnica estás pronto para a próxima etapa de aprendizagem: DOWNWIND – NIVEL AVANÇADO.

**VIDEOS** PRINCIPIOS DOWNWIND – Dawid Mocke

Dawid Mocke é “o” grande campeão de surfski e um exemplo de dedicação à modalidade. Como atleta, treinador e embaixador da modalidade, tem sido reconhecido em todo o mundo como um exemplo.

O vencedor do circuito mundial Ocean Paddler Series 2013 e criador da escola de surfski The Paddling Centre na Cidade do Cabo publicou uma série de 3 vídeos com os seus 3 princípios mais importantes para um bom Downwind.

Para facilitar a compreensão inserimos legendas em português. Podem seguir o Dawid no twitter AQUI.

1º PRINCÍPIO: A ONDA ESTÁ SEMPRE Á NOSSA FRENTE
2º PRINCÍPIO: COLOCAR A FRENTE DO SURFSKI NO BURACO (CAVA DA ONDA)

3º PRINCÍPIO: APROVEITEM A VELOCIDADE
 

DOWNWIND – NÍVEL INICIAÇÃO

Objectivos no nível INICIAÇÃO:

  1. POSIÇÃO E GANHAR VELOCIDADE
  2. SENTIR A ONDA A PEGAR O SURFSKI
  3. ENCAIXAR NA ONDA
  4. DESCANSAR A SURFAR A ONDA
Quando falamos em surfar as ondas no mar estamos a referir-nos às ondas criadas pelo vento que podemos encontrar ao largo. Não são as ondas de rebentação que vemos a quebrar na costa. Sobre a forma como devemos surfar as ondas de rebentação falaremos depois.

As ondas ao largo são aquelas que mais nos interessam e aquelas com as quais nós podemos tirar todo o partido das características do nosso surfski quando as surfamos em downwind.

POSIÇÃO CORRECTA & GANHAR VELOCIDADE

Posição
A primeira coisa que temos de fazer é estarmos bem posicionados em relação à onda. Temos de alinhar o surfksi exatamente a 90º com a onda que queremos apanhar [ou seja temos de ter a onda a vir pelas nossas costas].

[Podemos apanhar a onda na diagonal mas isso obriga a remar mais depressa e com mais força. Assim vamos ficar cansados muito depressa e o objetivo do downwind é utilizar a energia das ondas para andar depressa e não gastar a nossa energia para surfar.]

Ganhar velocidade
Depois de estarmos na posição correta vamos pôr o surfski a uma velocidade constante.
Estar parado ao largo à espera que venha uma onda que pegue no surfski e nos faça andar, simplesmente, não resulta.

Se ficarmos parados à espera de uma onda, quando ela chega o surfski vai fazer um movimento brusco de levantar a traseira e depois a frente e isso quer dizer que a onda está a passar por baixo do teu surfski e tu não a conseguiste apanhar.

Se ficarmos parados vamos ter um tempo de reacção muito reduzido para tentar pegar a onda [entre o momento que a traseira do surfski sobe e o momento em que a onda passa por baixo do nosso corpo e a perdemos] e vamos ter de nos esforçar muito mais para embalar o surfski. Com o barco em andamento, o tempo de reacção diminui [a onda precisa de mais tempo para passar por baixo do nosso surfski] e o esforço é menor por isso vamos estar SEMPRE em movimento.

Temos que estar sempre a remar! Para melhor encaixarmos numa onda o nosso surfski tem de estar mais ou menos à velocidade dessa onda.

ENTRAR NA ONDA

Quando sentimos a parte do trás do surfski a levantar (ou a frente a afundar, é o mesmo) damos umas remadas com mais força para encaixar bem o barco na onda. Não desistas de remar até o barco começar a descer a onda.

[Quando estamos na crista da onda e antes de a começar a descer ficamos momentaneamente numa posição muito instável porque há menos superfície do surfski a tocar na água. O teu corpo está na crista da onda e metade do teu surfski fica à frente da crista e a outra metade fica por trás da crista da onda. Nesta fase é importante que não desistas e remes com força para forçar o surfski a descer a onda e assim que ele começa a descer e a ganhar velocidade a instabilidade desaparece.]

Quando a parte da trás do surfski fica levantada e sentes o surfski a avançar com mais velocidade, isso significa que já estamos a surfar a onda.

Apontas o surfski para o buraco à tua frente (a cava da onda) e manténs a remada mas não aplicas força, passando apenas as pás pela água, deixando que o barco seja levado pela onda.

DESCANSAR – RECUPERAR ENERGIA

No momento em que o nosso surfski é levado pela onda é quando conseguimos aproveitar a energia dessa onda para fazer avançar o barco sem utilizar a nossa energia, ou seja, ESTAMOS A SURFAR. É nesta fase que conseguimos descansar. Não fazes força até a surfada terminar e sentires a frente do surfski a levantar. Quando isso acontece voltas a remar com mais força porque todas as ondas têm cristas e cavas. Quando a frente do teu surfski começa a levantar, a tua onda seguinte está alinhada atrás de ti.

ERRO COMUM – REMAR PELA ONDA ABAIXO

Se no momento em que estás a surfar continuares a remar com força pela onda abaixo vais estragar o teu surf por duas razões. 

Primeiro porque devias estar a descansar para sprintar para a onda seguinte e segundo porque o barco desce a onda toda até à cava e depois vais parar nas costas da onda à tua frente e normalmente, quando isso acontece, a frente do surfski afunda e vais ficar cheio de água. 

Com um barco cheio de água e com pouca velocidade vais precisar de muita energia e tempo para recuperar. 

Energia para remares com força para voltar a ganhar velocidade e tempo para vazar a água do surfski. Durante esse tempo vais perder várias ondas sem necessidade.

Nesta fase é muito importante perceberes que:

  1. Quando encaixaste na onda estavas mais ou menos à velocidade dessa onda (vamos imaginar que ias a 10 km/h e a onda a 12 km/h);
  2. Se continuares a surfar a onda vais a 12 km/h sem esforço e é exactamente isso que nós queremos. Andar depressa utilizando a energia do mar;
  3. Quando desces a onda toda até à cava o teu surfski vai mais rápido que a onda que apanhaste (vamos imaginar 14 km/h);
  4. Ao tentar ultrapassar a onda à tua frente o teu surfski vai levantar; vais enfiar o surfski na crista à tua frente; vais subir pela onda da frente e o teu surfski vai encher d’água e perder velocidade (vamos estimar entre 6 a 8 km/h), tens depois de voltar a remar com força para voltar a conseguir surfar uma onda.
  5. O que nós queremos é uma velocidade média elevada e não os picos de velocidade máxima.
REPETIR O CICLO: SPRINT – DESCANSO – SPRINT – DESCANSO

Deves treinar para conseguir repetir este ciclo descansando quando estás a surfar e remando com força apenas quando queres descer uma onda.

Assim que conseguires perceber quando estás a surfar e descansar, estás pronto para a próxima etapa de aprendizagem: DOWNWIND – NIVEL INTERMÉDIO.

ONDAS CRIADAS PELO VENTO

São aqueles que mais nos interessam e para as quais os surfski foram criados.
Quando o vento sopra, as tensões por ele criadas (fig.5) deformam a superfície do oceano sob a forma de pequenas ondas com cristas arredondadas e cavas em forma de “V” e com comprimentos de onda muito curtos, inferiores a 1,74 cm. Chamam-se rídulas (ripples) e a tensão superficial da água tem tendência a destruí-las, restaurando a superfície lisa da água (fig. 6, parte esquerda).
Fig. 5 – Transmissão da energia do vento para as ondas

À medida que estas ondas se desenvolvem, a superfície do mar ganha um aspecto irregular, o que permite uma maior exposição ao vento e uma maior transferência da energia do vento para as águas. Quando essa energia aumenta desenvolvem-se ondas de gravidade. Estas têm comprimentos de onda superiores a 1,74 cm e uma forma sinusoidal (fig. 6, parte média). Uma vez que atingem uma maior altura, a gravidade torna-se a principal força de restauração da superfície, daí o nome de ondas de gravidade.
Se a energia que lhes é fornecida aumentar, a altura da onda aumenta mais do que o comprimento. Assim, as cristas tornam-se pontiagudas e as cavas arredondadas (fig. 6, direita).
Fig. 6 – Ondas de capilaridade e de gravidade

A energia do vento faz aumentar a altura, comprimento de onda e velocidade das ondas. Mas quando a velocidade das ondas iguala a dos ventos, já não é adicionada mais energia à onda, que atinge então a sua maior dimensão. A zona de origem das ondas (em inglês designa-se como “sea“) é caracterizada por uma superfície eriçada por ondas de pequeno comprimento de onda, com ondas movendo-se em várias direções e com diferentes períodos e comprimentos de onda (fig. 6). Este facto deve-se à acentuada variação da direção e velocidade do vento.
Outros fatores que condicionam a energia das ondas são a duração do impulso do vento numa dada direção e fetch (distância em que o vento sopra na mesma direção).

DOWNWIND COM OSCAR CHALUPSKY – Perguntas & Respostas

Para quem anda neste mundo do surfski o nome Oscar Chalupsky dispensa apresentações. Aos 49 anos o sul-africano é um mito vivo da canoagem. Vencedor por 12 vezes do Molokai, a travessia de 52 km do Canal de Kaiwi da ilha de Molokai para a ilha de Oahu no Hawaii, considerado para muitos um verdadeiro campeonato do mundo, incluindo uma vitória impressionante em 2012 contra o australiano já campeão olímpico Clint Robinson. Fica aqui um artigo com perguntas e respostas sobre a técnica que ele aplica para surfar. Espero que vos ajude!


Oscar Chalupsky – Molokai 2012

PAGAIAR A FAVOR DO VENTO – DOWNWIND COM OSCAR CHALUPSKY

Com persistência e horas suficientes no surfski, os canoístas iniciados podem desenvolver muito depressa as suas capacidades e confiança para pagaiar em mar aberto. Antes mesmo de ficarem viciados no windguru, para saber a direção e velocidade do vento que define onde e como vamos pagaiar.
Assim que, progressivamente, fores quebrando as barreiras da estabilidade no oceano, vais passar a concentrar-te na verdadeira arte do surfski: pagaiar em downwind (a favor do vento). Sendo uma das formas mais dinâmicas da canoagem, pagaiar em downwind requer força, preparação e uma técnica apurada. E essa é a parte mais fácil!
O mais importante e talvez o mais difícil de conseguir é a capacidade de perceber o mar e as ondas. Não há músculo ou capacidade aeróbica que consiga superar um experiente canoísta de mar no que diz respeito a surfar a favor do vento (downwind). Para reforçar este ponto relembro o que o canoísta húngaro Zsolt Szadavski disse na sua transição da pista para a canoagem oceânica num surfski: “O meu maior desafio tem sido libertar-me das minhas noções de como fazer bem. Na pista a tua capacidade física e o treino levam-te para a vitória. Para conseguires ter sucesso no surfski eu apercebi-me que tens de aprender a utilizar a energia do oceano em vez de confiares apenas na tua força. Pode parecer irónico mas muitas vezes quando vou em mar aberto eu tenho de abrandar para conseguir aproveitar ao máximo.”

Então como podemos aproveitar ao máximo? Quando devemos aplicar toda a nossa força e quando devemos abrandar? Onde posicionamos o surfski na onda para maximizar a surfada e onde devemos estar para fazer a ligação para a onda seguinte? Tal como nas outras modalidades da canoagem, o tempo que passamos no surfski é muito importante. O nosso instinto tem um papel muito importante para perceber as ondas, que podemos apurar passando muitas horas nas ondas. No entanto algumas dicas do Oscar Chalupsky fazem toda a diferença!
Se estás decidido a pagaiar em mar aberto e queres evoluir as tuas capacidades em downwind, aqui ficam alguns conceitos básicos que tens de trabalhar quando apontas o teu surfski a favor do vento.
Oscar Chalupsky – Durban 2008

CONSELHOS PARA DESENVOLVER A TECNICA DE DOWNWIND: Perguntas & Respostas com Oscar Chalupsky

Na tua opinião qual é a capacidade mais importante de um canoísta de downwind?
Eu diria que é vital aprenderes a posicionar o surfski no topo da onda. Se não consegues colocar-te no melhor ponto da onda, perdes todo o alicerce do que é surfar a favor do vento.
Qual é o erro mais comum que vês nos canoístas a surfar em downwind?
O maior problema que eu vejo nos canoístas iniciados ou intermédios é que frequentemente pagaiam com demasiada intensidade. Isto pode parecer contraintuitivo mas quando apanhas uma onda, pagaiar com força pode ser muito prejudicial e até travar a tua progressão. Também vejo que muitos downwinders em desenvolvimento muitas vezes estão tão concentrados a surfar uma onda que acabam por perder a sua linha/direção em relação à chegada. E é muito fácil isso acontecer quando seguimos sempre a mesma onda.
Qual a pergunta que te fazem mais vezes sobre pagaiar em downwind?
Não existe uma pergunta que se destaque mas frequentemente eu oiço alguma confusão sobre o que eu faço quando estou numa onda. Também é frequente alguns canoístas simplesmente quererem saber como encontrar as ondas, questionando-se porque perdem aquilo que os outros estão a surfar.
Quando procuramos ondas, para onde devemos direcionar a nossa atenção? Devemos olhar para os lados ou diretamente para a nossa frente?
Ok, este é um dos 4 princípios em que tenho sempre em atenção quando vou em downwind: o quadrante de 90 graus. Tens que olhar para as ondas num quadrante de 90 graus à tua frente, usando a linha de chegada como o centro (45 graus para cada um dos lados da chegada). Eu foco-me sempre em 4 princípios quando remo em downwind:
·         Onde está a linha de chegada – mantendo-a sempre à vista
·         Procura apenas as ondas que estejam no teu quadrante de 90 graus
·         Controla os adversários
·         Controla o teu GPS

O que procuras exatamente numa onda?
É muito simples, procuro ondas que afundem a frente do meu surfski. Qualquer boa onda o faz, por isso o mais importante é que tens de te colocar na crista da onda (no topo) e percorrer a onda como um surfista, que é a cruzar a onda e não descer diretamente pela onda abaixo.
Procuras só uma onda ou tentas formar um percurso para ligar duas ou 3 ondas?
A primeira parte é crucial: estares alinhado exatamente a 90 graus com a onda quando a vais apanhar, porque assim só tens de pagaiar à mesma velocidade dessa onda. Se estás a tentar apanhar uma onda na diagonal, vais ter de pagaiar com mais força e mais depressa. Assim que estás na onda podes baixar o ritmo e começar a analisar o quadrante à tua frente para a próxima onda e conseguires fazer a passagem para essa onda. Lembra-te que tens que te manter no topo da onda (crista) e quando vires outra onda para apanhar, deixaste descer na onda e cruzas na direcção da próxima. Mantém sempre este princípio em mente.
Quando vês a próxima onda que queres apanhar, quando aplicas a força?
Tu deves aplicar força na pagaiada sempre que sentes a frente do teu surfski a subir e não quando a frente baixa. Tens mais possibilidade de apanhar ondas se pagaiares com mais força mais cedo.
Quando sentes que estás na onda que querias, deves concentrar-te na direção ou no ritmo de pagaiada?
Assim que estás na onda, e tal como os surfistas, tenta manter-te no topo da onda e andar de um lado para o outro até estares alinhado com a onda seguinte. Pagaia apenas para conseguires isso e mantém a tua posição.
Então quando apanhas uma onda, relaxas e tentas manter-te no topo da onda?
Sim, quanto maior for a onda menos força deves fazer. Podes continuar a passar as pás pela água mas sem aplicar força.
Deves manter-te perpendicular à onda o mais possível?
Relembro que assim que apanhas a onda não queres ficar na perpendicular senão vais pela onda abaixo até parares nas costas da onda da frente. Vai de um lado para o outro até conseguires passar para a onda seguinte.
Como fazes a passagem de uma onda para a outra? Quando sabes que a surfada acabou e começas de novo a pagaiar com mais força?
Normalmente a surfada acaba quando a frente do surfski começa a levantar. Quando isto acontece deves começar a pagaiar com mais força porque todas as ondas têm cristas e cavas. Quando a frente do teu surfski começa a levantar a tua onda seguinte está alinhada atrás de ti (precisas de acelerar o teu surfski para a velocidade da onda que vem detrás).
Então o downwind é pagaiar tipo “sprint-descanso-sprint-descanso”?
Sim, é exatamente isso; é o melhor treino de séries do mundo!
Em condições ideais, qual a percentagem de pagaiada versus surfar?
Depende do dia: se as condições estiverem muito boas pode ser cerca de 20% a pagaiar e 80% a surfar as ondas. Quando está mais pequeno é mais 50/50.
Quando as ondas são pequenas (menos de 1 metro) devemos concentrar-nos no ritmo e apanhar ondas conforme as oportunidades? Ou devemos manter-nos focados em tentar apanhar o maior número de ondas possível, fazer a ligação entre elas, etc.?
As ondas pequenas que são lentas são um pouco uma perda de tempo porque elas só te ajudam porque estás a ir na mesma direção do vento. Com essas condições o melhor é pagaiares a um ritmo forte e constante e tentar aproveitar a ajuda dessas pequenas ondas. Se estiveres constantemente a sprintar para apanhar ondas que não te dão grande vantagem vais gastar muita da tua energia. Nota, no entanto, que pequenas ondas que se movem depressa podem ser uma grande ajuda – tipo as ondas laterais de um barco que passou. Tenta surfar nessas ondas o máximo possível na direção que tu queres ir.
Qual a maior surfada que já fizeste?
Eu diria algo entre 400 – 500 metros.
Qual a tua velocidade máxima em cima de uma onda?
O máximo que já atingi no oceano foram 56,6km/h. O meu km mais rápido no mar foi feito em 1 minuto e 59 segundos e a maior distância que fiz em 1 hora de downwindforam 21 km.
Fonte: Aqui

TECNICA de DOWNWIND – Uma opinião

Vou começar este blog pelo fim, ou seja, pela técnica mais difícil que é o downwind. Faço-o porque neste momento acho que é a informação que mais falta faz ao pessoal que anda de surfski em Portugal. Muitos vêm do K1 (pista e maratonas) e ainda não “percebem o mar”.
Este post é uma compilação de 2 artigos escritos por Dale Peppstreus, um sul-africano que fez duas vezes o percurso da Miller’s Run (12 km) de SS-2 com o Oscar Chalupsky. Acho que ele conseguiu escrever bem aquilo que muitos de nós sentimos e fazemos mas não conseguimos transmitir por palavras. Os parágrafos a azul são do 2º artigo.
Espero que este artigo vos ajude a entender a técnica e a tornar-vos mais rápidos.
PREPARATIVOS
Os pedais do leme inclinados para a frente, alinhados com a base do finca-pés e não na vertical. Já tinha tentado isto antes mas acontecia-me por vezes ter de esticar o pé para conseguir dar leme o suficiente.
O Óscar explicou-me que o truque é dar sempre pouco leme. É melhor nos habituarmos a esta afinação dos pedais porque há uma vantagem que é o menor desgaste do material por existir menos movimento do leme devido à rotação do tronco e ao trabalho de pernas.
3 MANEIRAS DE DESCER AS ONDAS:
  • Manter uma remada constante e descontraída
  • Fazer sprints ocasionais quando estamos a apanhar uma onda ou entre ondas
  • Pagaia em baixo entre ondas
Todos fazemos isto mas a forma como o Óscar (Chalupsky) faz é impressionante. 1. Não gosta de perseguir muitas ondas. Deixa muitas passar porque há sempre outra atrás e é preferível esperar por uma onda melhor. 2. Assim que entra na onda pára logo de remar. O truque é manter-nos na crista da onda porque guardas energia potencial que a podes aplicar se precisares. Evita também que a frente do barco afunde e a consequente perda de energia.
CRUZAR A ONDA
Assim que entra na onda começa logo a cruzá-la. A explicação para isso é que o surfski ao cruzar a onda ganha muito mais velocidade (e consequentemente mais energia cinética) que podes aproveitar se necessário. O truque é utilizar essa energia para fazer a ligação entre ondas e aí entra a nossa capacidade de perceber o mar.
O objectivo é apontar a frente do sufski para as aberturas (as cavas) entre as ondas e tentar perceber e antecipar onde esses buracos se vão formar. Muitas vezes as ondas têm aberturas entre elas que provocam altos e baixos nas ondas e o truque é aproveitar isso para fazer a ligação entre as ondas. Para fazer isto com eficácia o surfski tem de estar na crista da onda e ter velocidade suficiente para podermos dar leme.
Quando mantinha o surfski alinhado com as ondas tinha muita dificuldade em ir para um dos lados quando a onda terminava e eu ficava encalhado na parte de trás de outra onda (não conseguia passar da cava para a crista). Agora ando constantemente de um lado para o outro nas ondas e se as ondas estiverem na mesma direcção da chegada eu simplesmente surfo para a esquerda e para a direita. Descer as ondas a cruzar, dando um ângulo em relação à onda faz com o barco ganhe muito mais velocidade e se tenha mais controlo sobre o leme e muito importante permite que consigas explorar essa velocidade quando as ondas mudam de forma ou de direcção. Agora passo mais tempo com a pagaia em baixo a olhar para as ondas e a dar muito mais leme.
SAIR DA ONDA
Na maior parte das vezes tentamos manter-nos na onda o mais tempo possível o que se traduz em remar em frente com muita força. Por vezes resulta mas muitas vezes ficamos encalhados na parte de trás de uma onda com o barco a encher de água.
O truque é não fazer nenhuma tentativa para nos mantermos na onda e continuar a cruzar a onda até sairmos. Isto é completamente contra-intuitivo mas faz com que não fiquemos encalhados nas costas de uma onda e fiquemos numa melhor posição para apanhar a onda seguinte. Manter a velocidade do surfski é a chave para se conseguir fazer um bom downwind e para manter a velocidade do barco temos de aprender a fazer a transição ou passagem entre ondas sem que fiquemos encalhados nas costas das ondas.
A maneira como saímos das ondas é um dos aspectos mais importantes quando fazemos downwind. Se seguirmos a direcção das ondas o que vai acontecer é vamos ficar encalhados nas costas da onda da frente ou pior vamos ficar encalhados com o barco cheio de água. Para sair dessa situação tens de remar com muita força para voltar a aumentar a velocidade do barco e gastar muita energia para apanhar a onda que vem de trás. O truque que descobri é cruzar a onda na direcção onde se está a formar outra onda e apontar para o buraco atrás da crista da onda. Se o fizeres no momento certo vais entrar com bastante velocidade e evitar gastar energia ao passar de uma onda para outra.
A minha sugestão de que a forma com devemos sair das ondas é um dos aspectos mais importantes de remar é tão estranha que eu me sinto na obrigação que esclarecer bem este ponto. Claramente não podes sair de uma onda sem antes entrar nela por isso pode parecer que estou a “pôr a carroça à frente dos bois”. O meu ponto de vista é o de que apanhar ondas tem tudo a ver com velocidade e aceleração. Quanto melhor atleta fores mais depressa vais e mais facilmente passas de um intervalo entre ondas para outro. Tem tudo o ver com preparação, técnica e estabilidade. Estes são os 3 parâmetros e a minha opinião anda à volta disto: “que técnica posso usar para maximizar a minha capacidade de downwind dentro deste parâmetros”.
A minha resposta é que podemos sair das ondas utilizando muito menos energia se conseguirmos gerir bem a transição entre ondas. O meu ponto de vista é o de que fazer a transição de uma onda para outra não é apenas utilizar a velocidade do barco para passar de onda em onda mas também utilizar a velocidade do barco para nos posicionar-mos onde a onda se está a formar. Resumindo, o truque é não nos colocarmos em posição de descer toda a crista da onda até à cava porque não vamos conseguir passar a onda que está à frente mas, colocarmo-nos por trás da onda que se está a formar com uma boa velocidade. Na maior parte das vezes a única forma de fazer isto é cruzando a onda e o truque é chegarmos onde a onda se forma logo no início quando ela se está a desenvolver.
INSTRUÇÕES
As únicas instruções são “momento” e “ir com calma”. Não há uma boa explicação para isto a não ser o facto de te deixar em posição de aplicar a força quando necessário.
SER MAIS SELECTIVO.
Não temos de dar tudo por tudo para nos mantermos numa onda. É preferível conservar a nossa energia do que a gastar a tentar passar a onda da frente. Podemos falhar algumas ondas mas é preferível apanhar uma que nos leve mais além do que as que perdemos.
CONCLUSÕES
1.       Ao apanhar as ondas começamos a remar antes da onda chegar e paramos assim que entramos na onda.
2.        Assim que estiveres na onda começa a cortar para o lado para aumentar a velocidade.
3.       Mantém o surfski na crista da onda e evita apontar o barco para o buraco (cava) e descer a onda toda. Só fazes isso quando precisares dessa velocidade para passar para outra onda.
4.       Olha sempre para a frente e para os lados (45 graus) para veres outras ondas e aberturas entre elas. Especial atenção na possibilidade criada pelas aberturas laterais e utiliza os altos (cristas) e baixos (cavas) para atravessar.
5.       Quando a onda começa a perder energia ou a levantar à tua frente utiliza a energia que tens para ires para o lado e viras o surfski na direcção da próxima onda apenas quando a crista à tua frente desaparecer.
6.       Mantém a velocidade do surfski remando de forma suave e constante entre as ondas.
7.       Tem paciência. Há sempre mais ondas a passar e se não for do teu agrado tens sempre mais a vir.